Glutamatar a vida mata?

“Glutamato monossódico. Aquela coisa que tem no tempero do miojo e em um monte de comida expressa, porque a gente tem muita pressa, pra deixar os sabores mais aguçados. Sabor já aguça, existe pra aguçar, não pra ser aguçado. Antes, tinha guerra.  Brigava-se por tempero. Nossos ouvidos e olhos, além de nossa goela, receptora de hormônios de galinhas inchadas, recebem toneladas do tal aditivo. Senão, os apressados não são fisgados. A música precisa ser cada vez mais rápida e alta e só mais rápida e alta. Não pra acrescentar, mas pra trocar, exterminar outras formas. Os peitos cada vez mais inflados, caso pequenos sejam. Se forem grandes, o ideal é diminuí-los, pra depois inflá-los nos métodos atuais. O videoclipe de quatro minutos é longo, a edição do filme tem que deixar o sujeito tonto. Não é pra acrescentar, é pra trocar, pra acompanhar a estabanação geral. O grande lance é nausear a criatura, pra emocioná-la.”

Trecho de Glutamato Monossódico, crônica da cantora Karina Buhr

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