Arquivo de outubro de 2015

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Oposição ou obscurantismo?

“O Enem colocou um texto da filósofa Simone de Beauvoir, de 1949: ‘Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino’. O texto não é uma novidade ou uma controvérsia. É um texto histórico, que relembra o óbvio: a construção do feminino é um processo dado pela civilização. Houve grita na internet. Vários falam hoje de uma onda conservadora; mas vejo uma onda de estupidez apenas. Quem reclamou não leu, não inseriu no contexto, não aprofundou. Não é apenas conservadorismo: é burrice declarada. Dá para debater com gente conservadora, pois vários conservadores do passado eram brilhantes: Burke, Tocqueville etc. Mas não dá para discutir com gente tapada e que se orgulha da estupidez. Com esse grau de atualização filosófica, em breve essa malta vai gritar contra Newton na prova…”

Do historiador Leandro Karnal

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Mais fácil curtir do que gostar?

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Felicidade depressiva

“Alguns suspeitam que a depressão contemporânea seja uma invenção. Uma vez achado um remédio possível, sempre é preciso propagandear o transtorno que o tal remédio poderia curar. Nessa ótica, a depressão é um mercado maravilhoso, pois o transtorno é fácil de ser confundido com estados de espírito muito comuns: a simples tristeza, o sentimento de inadequação, um luto que dura um pouco mais do que desejaríamos etc. De qualquer forma, o extraordinário sucesso da depressão e dos antidepressivos não existiria se nossa cultura não atribuísse um valor especial à felicidade (da qual a depressão nos privaria). Ou seja, ficamos tristes de estarmos tristes porque gostaríamos muito de sermos felizes. Coexistem, na nossa época, dois fenômenos aparentemente contraditórios: a depressão e a valorização da felicidade. Será que nossa tristeza, então, não poderia ser um efeito do valor excessivo que atribuímos à felicidade? Quem sabe a tristeza contemporânea seja uma espécie de decepção.”

Do psicanalista Contardo Calligaris

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Excesso de ti

– Saudades?
– Muita.
– Do que exatamente?
– Da tua ausência.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Investigação

Quem de fato nos mata:
1. O bacon, a salsicha e a linguiça?
2. As indústrias, lojas e agências publicitárias que os produzem, comercializam e propagandeiam?
3. Os cientistas, que periodicamente elegem novos vilões gastronômicos e nos deixam ainda mais estressados?

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Ai dos que estão no bem bom?

“A advogada Beth Mange, que foi a manifestações contra o governo federal na Paulista, culpa Dilma e Lula pela crise e diz que se sente prejudicada. ‘Se antes comprava um presente de R$ 800, agora compro de R$ 300. Não sei até quando vou conseguir agir assim’, afirma, enquanto passeia na rua Oscar Freire.”

Trecho de Elite paulistana mantém hábitos e faz de estabelecimentos ilhas sem crise, reportagem de Amanda Massuela e Ingrid Fagundez

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Dá para ser livre na prisão?

Gutto tinha apenas 3 anos e já frequentava a escola. Era uma instituição construtivista, que se orgulhava de proporcionar muita liberdade para os pequenos alunos. Certa manhã, a professora sugeriu à classe de Gutto desenvolver projetos pessoais. Cada estudante decidiria o que fazer em aula e passaria uns dias se dedicando àquela atividade. Gutto escolheu cavar um buraco perto do muro que separava o pátio e a rua. Ficou muitíssimo entretido na tarefa, o que chamou a atenção da professora. Quando o buraco exibia um tamanho considerável, ela finalmente lhe perguntou por que resolveu abri-lo. “Não percebeu ainda, professora? Estou tentando fugir da escola.”

O episódio ocorreu com Gutto Thomaz, primogênito de Ana Thomaz, terapeuta que defende o direito de os pais educarem os filhos fora dos colégios   

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Tímido espalhafatoso

HQ de Hector Salas
(clique na imagem para ampliá-la) 

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Os corruptos de lá são menos corruptos que os de cá?

“No Brasil, tem-se a impressão de que certas coisas só acontecem no país. Quantas vezes já ouvi: ‘Corrupção e impunidade como temos aqui não se vê na Europa’. É um narcisismo ao avesso que nos leva a crer que somos especialmente corruptos e degenerados. Tony Blair, um dos políticos mais importantes da história recente da Europa, o bom moço que ressuscitou o partido trabalhista britânico, invadiu o Iraque para depor Saddam Hussein e conquistar poços de petróleo. A desculpa esfarrapada eram as armas de destruição em massa – que comprovadamente nunca existiram. Mentiu para o seu povo, desrespeitou a lei internacional e, ao deixar o cargo, abriu uma firma de consultoria que tem como clientes, entre tantos outros governos ditatoriais e corruptos, os mesmos Emirados Árabes que se uniram a ele e financiaram a cruzada da hipocrisia anti-Saddam. A fortuna de Blair hoje é calculada em US$ 150 milhões. Trocando em miúdos: para cada Lula no mundo temos uma Odebrecht.”

Trecho do artigo Narcisismo ao contrário, de Henrique Goldman

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Tanatofobia

Por que, hoje em dia, valorizamos tanto os recomeços, as reinvenções, os renascimentos? Há de fato muito que se refundar numa única existência? Por que já não nos deixamos seduzir pela continuidade, o fluxo, o ciclo, a correnteza? Por que preferimos interromper antes de terminar? Em que momento resolvemos nos entregar tão desesperadamente à fantasia de que seja possível não apenas procrastinar, mas sobretudo evitar o fim?

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