Arquivo de março de 2010

sexta-feira, 26 de março de 2010

O que há de feio no bonito?

“A beleza é uma lente que distorce. Ele tinha aquele tipo de fisionomia que é sempre recebido com sorrisos e apertos de mão, olhadelas extras, olhares que duravam um instante além do normal; um sorriso e um rosto que não eram esquecidos com facilidade. Até a forma como ele segurava o cigarro, ou como se inclinava para amarrar o sapato, tinha uma certa graça masculina que fazia com que as pessoas quisessem esboçá-lo. Que forma mais torta e confusa de viver. Receber ofertas de empregos, caronas e bebidas de graça _”É por conta da casa, querido”_, sentir o ambiente mudar enquanto o atravessa. Ser observado em qualquer lugar a que se vá. Ser alguém que as pessoas anseiam por possuir, e estar habituado a tal sensação; ser desejado tão imediatamente, com tanta frequência, que a própria pessoa nunca saberá o que ela mesma deseja.”

Trecho de A História de um Casamento, romance de Andrew Sean Greer

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sexta-feira, 26 de março de 2010

Ode ao Alzheimer

“Você já pensou nesse terror – oitenta e lúcido? Todo punk (dentadura, peruca e hemiplegia afetando aqui assim todo o lado esquerdo) e lúcido? Quando o bom dos oitenta é o pipi na sala e a mão na bunda das empregadas? E ocasionalmente também na de uma ou outra de vossas matronais progenitoras (hi, hi, hi! onomatopéia)?”

De Millôr Fernandes, que tem 86 anos e continua lúcido

quinta-feira, 25 de março de 2010

Quer ser artista?

“Pra sobreviver de arte em São Paulo
Tenta o Sesc, tenta o Sesc
Mas se o programador não for com a sua cara
Esquece, esquece

Pra sobreviver de arte em São Paulo
Tenta o PAC, tenta o PAC
Mas se acaso, no projeto, faltar CEP
Se estrepe, se estrepe

Pra sobreviver de arte em São Paulo
Lei Mendonça, Lei Mendonça
Mas se não tiver contrapartida social
Baubau, a água bebe a onça

Pra sobreviver de arte em São Paulo
Vai e tenta a Rouanet
Mas se o empresário fala em custo-benefício
Manda ele… se pentear!”

Trecho de O Retrato do Artista Quando Pede, samba do Duo Moviola

Dica de Thiago Melo

quinta-feira, 25 de março de 2010

Terror noturno

Eu adormeço às margens de uma mulher: eu adormeço às margens de um abismo?

A partir da crônica A Noite/2, de Eduardo Galeano

quinta-feira, 25 de março de 2010

Comei-vos uns aos outros

Quadrinho de Laerte
(clique na imagem para ampliá-la)

quarta-feira, 24 de março de 2010

Patuscada na Pauliceia

“Estávamos sentados na mesa do bar com Mário de Andrade, Francisco Mignone e uma senhora gorda cujo nome, no momento, não me ocorre. Estou vendo diante de mim a carona alegre e simpática de Mimi Sustenido, apelido dado por Otto Lara Rezende ao inesquecível musicólogo e beletrista precocemente desaparecido. O papo girava em torno de músicas, ou gêneros musicais, com nomes terrivelmente assustadores para um menino de minha tenra idade e apurada sensibilidade: tamba-tajá, maguary, escubidu, gury-mirim, japyassu, almeida, prado. (…) Foi quando Mimi Sustenido (esse Otto tinha e tem cada uma!) me perguntou naquele seu inimitável linguajar _ que ouvido tinha! _ popular:
– E tu, garboso infante, que almejas ser quando atingires a maturidade física e cronológica. Escritor, como o pai?
Num gesto muito brasileiro, cocei o saco do garçom que passava e respondi com minha poderosa voz de baixo profundo:
– Escrever todo mundo escreve. Difícil é tomar notas. Pra isso tem que ter talento. Eu vou tomar notas.
Como se ilustrando meu sonho e vocação, tomei da rodela de chope e garatujei algumas palavras só a mim compreensíveis, instamaticando a ocasião.
Um manto de silêncio cobriu a mesa. Dava para se ouvir um Matarazzo peidando na avenida Paulista.”

Trecho de A Difícil Arte de Não Escrever, crônica de Ivan Lessa, filho do romancista Orígenes Lessa

quarta-feira, 24 de março de 2010

E por que Cristo nunca engorda?

“A epidemia de obesidade pode ser um fenômeno moderno, mas o aumento nas porções de comida tem raízes milenares, afirma um novo estudo. Uma dupla de pesquisadores que comparou 52 pinturas diferentes retratando a cena bíblica da Última Ceia mostrou que a fartura do banquete vem aumentando gradualmente desde o século 11. Seu trabalho indica que os pratos principais mostrados nas obras cresceram 69%, enquanto pães aumentaram 23% e entradas, 65%. “O último milênio testemunhou um aumento dramático em produção, disponibilidade, segurança, abundância e barateamento de comida”, diz Brian Wansink, diretor de um laboratório da Universidade de Cornell (EUA) que estuda alimentação e comportamento. Autor do best-seller Mindless Eating (Alimentação Negligente), ele assina o novo estudo ao lado de seu irmão Craig, pastor presbiteriano e teólogo, do Wesleyan College da Virgínia.”

Trecho da reportagem Porções de comida são maiores em versões mais recentes da Última Ceia

quarta-feira, 24 de março de 2010

Respeitável público?

“O aplauso
É a proeza da mentira.”

Trecho do poema Woody, de Almir Castro Barros

terça-feira, 23 de março de 2010

Alguém me empresta um pouco de metafísica?

“há manhãs em que o pão não basta”

Trecho do poema Das Mãos Invisíveis, de Josoaldo Lima Rêgo

terça-feira, 23 de março de 2010

Sustentável

Se a água do planeta acabar? Tomo Coca-Cola e pronto.

A partir da crônica Socuerro! Nardoni mata o português, de José Simão

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