Qual a chave do insucesso?
“Não sangro pelo vão das pernas. Não creio. Nem duvido. Não tenho medo de baratas. Não amamento. Não faço as unhas. Não tenho longos cabelos. Não vou à missa. Nem à feira. Não lavo roupa à mão. Não assisto novelas. Não como jiló. Nem pé de galinha. Não fumo. Não carrego pente na bolsa. Não durmo muito. Nem pouco. Não espero os filhos acordada. Não faço macarronada aos domingos. Nem pudim de leite com calda de caramelo. Não escrevo diário. Não leio semanários. Não acredito em horóscopo. Nem em destino. Não sei costurar. Não sinto ciúmes. Não como muito. Nem pouco. Não tenho cachorro. Não sinto tesão todos os dias. Não estico o lençol de baixo. Não uso fio dental após todas as refeições. Não durmo sem beber água. Nem acordo. Não tomo café com açúcar. Não jogo futebol. Não torço pra time nenhum. Não faço xixi em piscinas. Não jogo papel no chão. Não tomo coca-cola. Nem fanta. Não faço ginástica. Não tenho certezas. Não dirijo mal. Nem faço boas manobras. Não calo minhas dores. Não aquieto minhas mágoas. Não sei de nada. Nem de mim.”
Pode um coração de poeta habitar o tórax de um Superman?
“O matrimônio é uma grande instituição. Naturalmente, se você gostar de viver em uma instituição.”
“Embora a dor seja inevitável, o sofrimento é uma decisão.”
“Meu destino não traço,
Não desenho ou desfaço
O acaso é o grão-senhor.
Tudo que não deu certo
E sei que não tem conserto
No silêncio chorou, chorou…”
“A filha de uma amiga usou durante muito tempo aqueles tênis que apitam. Para um adulto, era inacreditavelmente insuportável o barulho que faziam a cada passo da garota. Uma vez perguntei à minha amiga por que ela não proibia os tais tênis, e ela respondeu: ‘Porque a menina gosta deles!’ Imagine fazer parte dessa nova geração, descobrindo a cada alegre apitada de seus tênis que Galileu estava errado: é você, e não o sol, o centro do universo! Não posso deixar de pensar que nossos pais jamais teriam suportado tênis que apitam ou conversas de adultos que giram inteiramente em torno de crianças. Eles nos amavam tanto quanto amamos nossos filhos, mas, até onde me lembro, tinham suas próprias vidas, e nós brincávamos em torno delas. Eles não planejavam fins de semana inteiramente em torno de teatro infantil, aulas de arte para crianças, aulas de piano e festinhas de aniversário. Por que, muitos de nós nos perguntamos, nossos filhos não brincam sozinhos? Por que eles não têm a vida interior que, ainda vagamente, lembramos ter em nossas próprias infâncias? A resposta parece óbvia: porque, cheios de boas intenções, nos devotamos excessivamente à educação, ao entretenimento e à formação em geral de nossos filhos. Porque deixamos de lado a ideia de uma vida adulta independente, por não permitirmos que nossos filhos imaginem um lugar para si em seus quartos, no tapete ou no jardim; em suma, por não permitirmos que tenham uma vida própria.”
Webmaster: Igor Queiroz