Arquivo de outubro de 2014

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Por trás de todo desapego, há um imenso apego?

“De uns tempos pra cá
Os móveis, a geladeira
O fogão, a enceradeira
A pia, o rodo, a pá
Coisas que eu quis comprar
Deu vontade de vender
E ficar só com você
Isso de uns tempos pra cá

De uns tempos pra cá
O carro, a casa, o som
TV, vídeo, livros, bom…
O que em tese faz um lar
Admito eu quis comprar
Começo a me arrepender
Pra ficar só com você
Isso de uns tempos pra cá

Coisas são só coisas
Servem só pra tropeçar
Têm seu brilho no começo
Mas se viro pelo avesso
São fardo pra carregar

De uns tempos pra cá
O pufe, a escrivaninha
Sabe a mesa da cozinha?
Lençóis, louça e o sofá
Não precisa se alterar
Pensei em me desfazer
Pra ficar só com você
Isso de uns tempos pra cá”

Trecho da canção De Uns Tempos pra Cá, escrita e interpretada por Chico César

Imagem de Amostra do You Tube

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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Certos eleitores são meros carneirinhos nas mãos dos políticos?

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quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Existem realmente governos de esquerda?

Imagem de Amostra do You Tube
Vídeo com o filósofo francês Gilles Deleuze

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Os números não mentem jamais?

“Após errarem 88% das previsões para o primeiro turno, Ibope, Datafolha, CNT/Sensus e Vox Populi resolveram aumentar a margem de erro de suas pesquisas. ‘Subimos para 40% para mais ou para menos. É a mesma probabilidade de acerto que têm hoje o horóscopo dos jornais e a previsão do tempo para mais de cinco dias’, explicou Turíbio dos Santos, diretor do sindicato dos pesquisadores. Em seguida, Turíbio fez uma correção: ‘Na verdade, os institutos erraram 92% das previsões do primeiro turno’.”

Do i-piauí Herald

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Para que serve um coque?

Charge de Benett

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Por que os marqueteiros de Dilma não prestam mais atenção em Haddad?

“Ao contrário do que querem fazer parecer os candidatos concorrentes, há, sim, muita diferença nos projetos políticos de PT e PSDB. Não se trata apenas de ‘manter o Bolsa Família’. Trata-se de pensar políticas voltadas para a inclusão daqueles que não são ‘naturalmente’ incluídos pelo tal mercado livre. Trata-se de colocar o público antes do privado, mesmo que, para isso, alguns velhos beneficiários do privado sejam prejudicados (vide a celeuma ‘corredores de ônibus e ciclovias x carros particulares’ em São Paulo). Trata-se de proteger minorias da tirania da maioria (direitos LGBT, de mulheres, de populações tradicionais). Trata-se de separar religião e Estado. Trata-se de pensar em questões como aborto e drogas em termos de saúde pública e não em termos moralistas. Trata-se de pensar a segurança pública em termos de como incluir os excluídos e não em termos de estratégias para excluí-los ainda mais, aniquilando-os com polícias assassinas e prisões tenebrosas. Trata-se de abrir embaixadas na África e não de fechá-las. Trata-se de dar as mãos a nossos hermanos da América Latina e não aos Estados Unidos. São essas as plataformas que o PT deveria estar defendendo, sem vergonha e sem medo. Os conservadores e o empresariado sempre vão preferir o PSDB ao PT. De certa forma, o PT beneficiou-se da autofagia do PSDB nacional nos últimos anos, mas agora a coisa mudou de figura. PT: olhe para a esquerda! Olhe para dentro, poxa! Mire-se no exemplo do Haddad em nossa esquizofrênica São Paulo, ilha de progressismo no Tucanistão.”

De Maria Abramo Caldeira Brant, mestre em direitos humanos e sócia-fundadora do Incide (Instituto de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento)

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Sem legenda

“As luvas de inverno estavam em promoção naquela loja em Estocolmo. Pergunto ao vendedor, em inglês, se eles têm daquele modelo em um tamanho menor. Ele responde que não e, na sequência, engata uma longa explanação _só que em sueco. Eu permaneço parada, olhando e chacoalhando a cabeça em profunda consideração.
Neurônio número 1: Ok, estamos entendendo o que ele está falando?
Neurônio número 2: Não há indícios para sustentar essa hipótese.
Neurônio número 3: No entanto, ele continua a falar.
Neurônio número 4: Que língua engraçada. Acho que entendi ‘couve-flor’.
Neurônio número 5: (Tentando dar sentido a uma suposta menção a ‘couve-flor’ na conversa.)
Neurônio número 6: Não. Não estou entendendo nada.
Neurônio número 7: Então por que ninguém o interrompe?”

Trecho de Sim, Eu Falo Sueco, crônica de Vanessa Barbara 

terça-feira, 7 de outubro de 2014

A política tem razões que a própria razão desconhece?

“Alguém precisa entender o que ocorre em São Paulo. A reeleição do Alckmin no primeiro turno é uma coisa verdadeiramente espantosa. Por que fico estarrecida? Porque milhares e milhares e milhares de jovens saíram às ruas de São Paulo pedindo mais saúde e mais educação. Se você pede mais saúde e mais educação, considera que são direitos sociais e que devem ser garantidos pelo Estado. E aí você reelege Alckmin. Estou tentando entender como é possível você reivindicar aquilo que é negado por quem você reelege.”

Da filósofa Marilena Chauí

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O PT vai derrotar o PT?

 “Marina Silva, a ex-petista cujo projeto o PT deveria ter tratado com mais carinho, fraternidade e elegância (e inteligência política inclusive), foi tratada a pontapés. E acordar os demônios políticos a pontapés certamente não foi uma boa escolha. Foi uma escolha de fraqueza, não de força. A posição de Marina já era delicada. Não por ela ser ‘indecisa’, como o PT afirmou, mas por ter um discurso menos linear e mais difícil de sustentar e explicar. O PT descarregou todo seu arsenal de imprecisões, exageros e inverdades numa ex-companheira, uma ex-ministra de Lula. O efeito, além de ser politicamente emburrecedor, pode ser eleitoralmente burro. O que o PT conseguiu, por enquanto, foi trazer um Aécio que já esteve rendido de volta, seguro, motivado e na ascendente. Perdeu-se a oportunidade histórica de ter no segundo turno duas mulheres, de um campo político socialmente mais generoso, no que seriam as eleições mais bonitas e politicamente qualificadas de toda a história do país. Ao contrário, o PT resolveu provocar os piores instintos do eleitorado, mobilizar a ignorância e a imaturidade políticas da nação (essa mesma que, para falar só de São Paulo e das primeiras colocações, elege Russomanno, Bolsonaro, Maluf e Tiririca. Ou que reforça o grande percentual de votos nulos, brancos e abstenções). (…) Ao escolher ‘derrotar’ junho, junto com gente como Alckmin e ‘Cabrão’ (Cabral + Pezão), ao invés de depurá-lo, o PT faz uma manobra arrogante e impensada, talvez suicida. O que a enorme transferência de votos de Marina para Aécio instantes antes da votação demonstra é óbvio. Que, para um monte de gente, a prioridade é simplesmente barrar o PT. O PT ‘escolheu’ Aécio em vez de Marina. E, ao evitar lidar com uma figura híbrida, cujo programa tinha traços neoliberais, mas cuja prática está enraizada nas camadas mais sofridas e solidárias da sociedade, o PT escolhe um Brasil conflagrado, venezualizado, o do ‘eles contra nós’ (falsos eles contra falsos nós), pondo o barco de todos em risco. (…) O partido fez escolhas políticas patriarcais, para quem gosta dos modos do patriarcado: apelo ao medo, à violência psicossocial, à manipulação. Confesso que, ‘enquanto comédia de erros’, acho engraçado o PT levar esse Aécio redivivo para o segundo turno. Será ainda mais engraçado se Aécio ganhar. (…) O PT escolheu dar razão a quem acha que o PT é o maior problema do Brasil. Agora é, finalmente.”

Trecho de O desserviço final do PT ao Brasil, artigo de Alex Antunes

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Mesmo quando se trocam os presidentes, o poder não muda de mãos?

“O tão falado conservadorismo do Congresso não é tanto de ordem ideológica. Aliás, ideologia ou projeto político é algo que passa longe da maioria dos parlamentares brasileiros. O conservadorismo expressa mais que tudo a defesa dos interesses de quem sempre comandou o país e paga as campanhas. As reformas populares não estão bloqueadas há décadas na sociedade brasileira por acaso. Alguém acha que a bancada ruralista permitirá uma reforma agrária? Ou que o lobby dos bancos no Legislativo e nos governos dará sinal verde para a reforma do sistema financeiro? Ou ainda que o setor imobiliário e as empreiteiras permitirão que os governos que eles financiaram faça reforma urbana? O financiamento de campanha eleitoral é um poderoso instrumento de poder. Quem paga a banda escolhe a música, diz o velho dito. E assim é. Para não acharem que é papo de comunista, cito o juiz eleitoral Marlon Reis: ‘Chegamos ao grau da insustentabilidade. As eleições são um jogo comprado no Brasil’. Teremos neste ano as eleições mais caras da história, com investimentos milionários de grupos de interesse de vários setores da economia. Neste cenário, esperar que o próximo governo, seja Dilma, Marina ou Aécio, tenha independência para fazer as mudanças em favor da maioria do povo é de uma ingênua ilusão. Ilusão produzida sob medida pelo marketing eleitoral, que, por sua vez, é pago com o dinheiro daqueles que seguirão dando o tom na política brasileira. ”

Trecho do artigo Eles venceram outra vez, de Guilherme Boulos
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