quinta-feira, 26 de abril de 2012

Está (quase) todo mundo louco

“Delírio é uma convicção inquestionável, incorrigível e muito pouco plausível. Além disso, um delírio não é apenas um exercício de fantasia, ele preenche a função (crucial) de dar sentido à existência do indivíduo que delira. São poucas as pessoas saudáveis a ponto de conseguir viver sem se atormentar com a necessidade de resolver, como se diz, o enigma da vida. Ou seja, são poucas as pessoas para quem a experiência concreta se justifica por si só, pela alegria de viver. A maioria precisa recorrer a crenças que digam por que e para o que estamos aqui. Ora, as crenças que explicam nossa razão de estar no mundo são todas inverossímeis. Claro, a ‘missão’ de Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, o canibal do agreste, preso recentemente, nos parece mais estranha do que a crença de um cristão, mas isso pouco tem a ver com a verossimilhança. Como dizer o que é mais provável, que o filho de Deus tenha sido crucificado para nos redimir ou que Deus nos encoraje a redimir os pecadores comendo-os e filtrando-os pela nossa digestão? No fundo, a grande diferença é que as ideias de Jorge são só dele e de suas duas cúmplices, enquanto as ideias de um cristão são compartilhadas por 2 bilhões de pessoas.”

Trecho de Delírio e mau caráter, artigo de Contardo Calligaris

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Existe algo mais elegante do que o despojamento?

quinta-feira, 26 de abril de 2012

171

“Malandro, eu? Malandro é o cavalo-marinho, que finge ser peixe para não puxar carroça.”

Do sambista Dicró

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Mal chegou e já está indo?

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Freud pra quê?

“Melhor a vida do que o divã.”

Trecho de Verão, música da Trupe Chá de Boldo

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Era Galileu Galilei um cupido?

“O mundo gira
só pra gente se encontrar”

Trecho de Vou Sair do Interior, canção de Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown

terça-feira, 24 de abril de 2012

Pode-se ter ressaca de alegria?

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terça-feira, 24 de abril de 2012

Baixinho, mas espaçoso

“Sinceramente, se aparecesse um Romário na minha frente, não conseguiria aturar o cara. Por quê? Porque eu era muito chato. Para começar, me achava o máximo. Passava dos limites e não estava nem aí. Se era o melhor, queria os meus privilégios. Cada um que conquistasse os seus. Mulheres na concentração era o básico. Com 18 anos, virei milionário e fiquei completamente deslumbrado. Era um favelado e, de repente, tinha a chance de escolher carro, casa, roupa de marca. Descolava a mulher que eu quisesse. Por isso, entendo o comportamento do Neymar.”

Do deputado federal Romário

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Eu, um leão?

“Amar um leão usa-se pouco,
porque não pode afagá-lo
o nosso desejo de afagá-lo,

como tantas vezes cão ou gato
aceitam-nos a mão a deslizar
sobre seu pelo;

amar um leão não se devia,
agora que já não somos divinos,
quando a flauta que tudo

encantaria, gentes animais
pedras, nós a quebramos contra
a ventania; amar

um leão é só distância: tê-lo ao lado,
não poder beijá-lo, o deserto
que habita em torno dele;

era mais certo amar um barco,
era mais fácil amar um cavalo;
amar um leão é não poder amá-lo;

e nada que façamos adoça
o que nele nos ameaça se
amar um leão nos acontece:

à visão de nosso coração
ofertado, tudo nele se eriça,
seu desprezo cresce;

amar um leão, se nos matasse;
se nos matasse o leão que amamos
seria a dor maior, mais que esperada:

presas patas fúria cravadas em nossa carne;
mas o leão, que amamos,
não nos mata.”

Sob a Luz Feroz do Teu Rosto, poema de Eucanaã Ferraz

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Alto executivo em crise vocacional

Poder é querer?

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