“tem nove poodles em casa
não conversa com ninguém
de vez em quando ela late
dizem que não late bem”
Caminhando pela rua, duas prostitutas avistam um prédio suntuoso numa esquina.
– Que edifício é este?, indagou uma das jovens.
– É o palácio episcopal, o lugar onde os bispos moram, respondeu a outra.
– Uau! Se eles lidam assim com o voto de pobreza, imagine o que não fazem lá dentro com o de castidade…
Na noite passada, sonhei com neologismos – um monte deles, proferidos por dezenas de crianças. Eram muito bonitos e tão precisos que decifrei o significado de todos sem qualquer dificuldade. Quando acordei, tentei transcrevê-los no caderninho que mantenho sobre o criado-mudo, mas já não me lembrava de nenhum. Saltei da cama frustrado e enfrentei o dia com as palavras de sempre.
O mar do cinema não é o mar e é o mar.
“Não topo psicanálise: eu acho um negócio de doente. Uma proposta pelo avesso. O homem é uma máquina de enrustir, o homem foi feito para enrustir as coisas. Você levou uma porrada quando tinha 10 anos. Essa porrada você enruste. Você absorve as humilhações, ostenta as coisas positivas. Nós fazemos isso o tempo todo, em conversa, inclusive. Se você disser tudo o que pensa, a vida é impossível. A própria vida faz com que você, que está tranquilo, de repente encontre um cara e, tum!, ele te lembra, sem você querer, a humilhação dos 10 anos e te volta aquela dor de um certo momento. Mas logo passa. A comparação é a seguinte: tem uma caixa d’água no seu terraço, que está cheia de borra, não é verdade? Ela está sempre cheia de borra, como a tua alma. Mas a borra está lá, sedimentada. Uma vez por ano, um cara chega lá e limpa aquela caixa e a água fica meio turva durante algumas horas. Tudo bem. Agora, você pagar um sujeito para ficar com um pauzinho na tua alma, o tempo todo remexendo com os troços: ‘O que tua mãe disse?’, ‘O que o teu pai fez?’ ou “Como foi aquele cara que te comeu à força no colégio e você não reagiu?’.”
– Tem fogo?
– Tenho.
Agradeceu e se imolou em praça pública.
Roupa? Não precisa trazer, não. Aqui estamos todos nus.
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