Porque não sei sofrer em inglês.
Porque não sei sofrer em inglês.
“Todo dia, ao acordar
de manhã cedo,
levo minha mão aos lábios
e a conduzo
ao meu sexo ereto
em grato beijo
_agradeço ter nascido homem
nesse mundo de machos,
onde, à mulher, por estratégia,
convém o disfarce.
De manhã cedo, canta o galo
e na firmeza do falo me indago:
onde vingaria uma flor
nesse reino de bárbaros?”
“E esta manchete da Folha: ‘Sexo oral dá câncer na boca’. Como disse uma amiga minha: ‘Por que não avisaram isso ontem?’.”
Pense bem: nas últimas semanas, beatificamos um papa, casamos um príncipe, promovemos uma cruzada e matamos um mouro.
“Quando me perguntam ‘e aí, tudo bem?’, eu respondo que sim, ‘tudo ótimo’, mas é mentira. Não está tudo ótimo, está tudo péssimo: faz um mês, minha mulher se apaixonou pelo Keith Richards – e não tenho a menor ideia do que fazer.
A paixão foi despertada pela biografia do guitarrista, que eu mesmo, num desses irônicos maus passos da vida, lhe dei de aniversário. Cazzo, como ia imaginar que o livro do mais feio dos Rolling Stones, aquele ex-pirata bexiguento, pudesse fazer brotar em minha amada – uma moça fina, discreta e, até então, equilibrada – semelhante sentimento? (…) Ninguém é menos Keith Richards do que eu. Nunca briguei. Não discuto nem com flanelinha. Aventura, para mim, é ir até o Sesc Belenzinho, num domingo. Se minha mulher caísse de amores por um escritor, por um arquiteto, um advogado, eu teria uma margem de manobra, talvez conseguisse mostrar que sou mais legal do que o outro, mas como competir com um cara que, aos 70, quebra a cabeça caindo de um coqueiro – e só se dá conta do estrago uma semana depois?”
– Sou assumidamente gay, como o Timóteo também é.
– Não sou, não!
– Ah, não é?! Nossa! Me desculpe…
– O frango está uma delícia, querida. Você me passa a receita depois?
– É peixe…
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