quarta-feira, 15 de junho de 2011

Quem só deseja curtir nunca amará?

“A tecnologia (…) busca substituir um mundo natural indiferente a nossos desejos – um mundo de furacões e dificuldades e corações partíveis, um mundo de resistência – por outro mundo que responda tão bem a nossos desejos a ponto de ser, com efeito, uma mera extensão de nós. O mundo do tecnoconsumismo é, portanto, incomodado pelo amor verdadeiro, restando-lhe como única escolha responder perturbando o amor.  Sua primeira linha de defesa é transformar seu inimigo em commodity. Todos saberão citar seu favorito entre os nauseabundos exemplos da mercantilização do amor. Eu mencionaria a indústria do casamento, os comerciais de TV que mostram lindas criancinhas e também a prática de oferecer automóveis como presente de Natal, e a particularmente grotesca equação que compara as joias com diamantes à devoção eterna. A mensagem, em cada um dos casos, é bastante clara: se você ama alguém, compre alguma coisa.  Um fenômeno relacionado a esse é a transformação do verbo ‘curtir’ (‘like’, em inglês) que, graças ao Facebook, deixa de ser um estado de espírito e passa a ser um ato que desempenhamos com o mouse – deixa de ser um sentimento para virar uma opção de consumo. E curtir é, no geral, o substituto que a cultura comercial oferece para o ato de amar. (…)
Ocorre que a tentativa de ser perfeitamente curtível é incompatível com os relacionamentos amorosos. Mais cedo ou mais tarde, por exemplo, você se verá numa briga horrível, aos berros, e ouvirá saindo de sua boca palavras que você mesmo não curte nem um pouco, coisas que estilhaçam sua autoimagem de pessoa justa, gentil, bacana, atraente, controlada, divertida e curtível. Alguma coisa mais real do que a curtibilidade surgiu de você e de repente você se vê levando uma vida real.  Subitamente existe uma escolha de verdade a ser feita – não uma falsa escolha de consumidor entre BlackBerry e iPhone, e sim uma pergunta: será que eu amo esta pessoa? E, para o outro, será que esta pessoa me ama? Não existe a possibilidade de curtir cada partícula da personalidade de uma pessoa real. É por isso que um mundo de curtição acaba se revelando uma mentira. Mas é possível pensar na ideia de amar cada partícula de uma determinada pessoa. E é por isso que o amor representa tamanha ameaça existencial à ordem tecnoconsumista: ele denuncia a mentira.”

Trecho do artigo Curtir é covardia, de Jonathan Franzen

quarta-feira, 15 de junho de 2011

De vez em quando, a gente se engana…

– Falou?
– Falei.
– Tudo?
– Tudinho.
– Disse que ia embora?
– Disse.
– Que não voltaria mais?
– Também.
– Pegou os livros, as roupas, o iPod?
– Peguei. Em seguida, saí pela porta dos fundos.
– E depois?
– Entrei pelo cano.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Aos 45 pode, né?

Quadrinho de Angeli
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quarta-feira, 15 de junho de 2011

Incrível! Hoje em dia, há delivery de tudo

“- Querido, estou entediada. Vamos pedir um filho?
– Outra vez? Já pedimos um na semana passada e você não gostou dele.
– Ah, e daí? Se não gostar desta vez, eu troco.”

Trecho do conto Amores Efêmeros, de Rafael Sperling

terça-feira, 14 de junho de 2011

Querendo ou não, vamos todos cirandar?

“A vida às vezes tem um lado
A vida às vezes tem dois lados
A vida até tem três ou quatro
Anota bem o meu ditado
Às vezes fica até quadrada
Mas bem lá dentro você sabe
A vida é círculo e é elipse”

Trecho de Ditado, canção de Romulo Fróes e Nuno Ramos 

terça-feira, 14 de junho de 2011

Infinito enquanto dure a persistência?

“Muitos amores acabam por impaciência.”

Do ator Carlos Alberto Ricelli, casado com a atriz Bruna Lombardi há 30 anos

terça-feira, 14 de junho de 2011

O swing é um ato de solidariedade?

Tirinha de Adão Iturrusgarai
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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Últimas palavras

Como a vida tem a audácia de continuar sem mim?

segunda-feira, 13 de junho de 2011

De que maneiras se pode atingir o topo de uma árvore?

1. Subindo nela.
2. Sentando em cima da semente.
3. Ficando amigo de um grande pássaro.

A partir de uma reflexão de Robert Maidment 

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Triste depois de passar o Dia dos Namorados sem companhia?

Bobagem. Por acaso você passou o Dia do Índio com um índio?

A partir de uma piada que circula pela internet
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