Arquivo de novembro de 2012

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Até que a demissão nos separe

“Para mim, um emprego é como um casamento. Por um lado, é melhor, uma vez que você é pago; por outro, é pior, uma vez que há mais reuniões. Fora isso, os dois envolvem um processo de seleção para o qual você se veste no capricho e tenta parecer mais inteligente ou mais bonito do que realmente é. Ambos são compromissos pesados, respondendo juntos pela maior parte de nosso tempo, prazeres e dores. As condições são as mesmas para que eles durem. Antes de mais nada, é preciso fazer uma escolha decente. Depois, partimos para coisas como respeito mútuo, esforço e um pouco de falta de imaginação. Há, é claro, algumas diferenças: você não desiste de um casamento aos 65 anos com um relógio de ouro e uma festa. Mas, cada vez mais, as pessoas também não estão se despedindo de seus empregos desse jeito, uma vez que a aposentadoria é um luxo para poucos. Você também pode dizer que apenas o casamento envolve amor e paixão. Mas este não é mais o caso. Uma pesquisa recente com cinco mil britânicos concluiu que a paixão entre um homem e uma mulher dura, em média, 938 dias. Já os empregos modernos exigem paixão para sempre. Simon Robey, um banqueiro de investimentos experiente, por exemplo, saiu há pouco tempo do Morgan Stanley alegando que continuará sendo um ‘defensor entusiasta’ dos valores da companhia mesmo depois de sua despedida.
Outra diferença está em nossa atitude em relação ao fim do acordo. Geralmente as pessoas não o congratulam quando você troca sua esposa por uma modelo bem mais nova. Mas quase todo mundo acha que trocar de emprego representa um tipo de progresso, pois mostra ambição, imaginação e coragem. Como estou na mesma empresa há 27 anos, não gosto desse ponto de vista. Um emprego duradouro deveria ser visto como um sinal de sucesso, assim como um casamento duradouro é. Dada a importância de se acertar logo no início, é surpreendente o pouco aconselhamento existente para a vida profissional. Enquanto amantes jovens são bombardeados com pontos de vista (indesejados) sobre se eles acharam ou não a pessoa certa, ninguém ajuda as pessoas a saberem se seus empregos atuais merecem ser mantidos ou não. (…)
[Por isso], criei meu próprio sistema para descobrir se vale a pena continuar num emprego: as pessoas são legais? O trabalho é sempre interessante? Ele está sempre na quantidade certa – bastante, mas não exagerado? Há a possibilidade de se fazer coisas diferentes? Às vezes as pessoas lhe dizem obrigado? É isso. O que me leva a outra similaridade fora de moda entre um emprego e um casamento: o segredo do sucesso está em expectativas razoáveis.”

De Lucy Kellaway, colunista do Financial Times
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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Alérgico ao romantismo

– A primavera, a natureza em flor, os pássaros se amando, o pólen no ar… Tudo isso faz você pensar em alguma coisa, querido?
– Na minha rinite.

A partir de um cartum de Luis Fernando Verissimo

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Se a gente não penteia direito o cabelo, o mundo sai do prumo?

Trabalho do artista japonês Makoto Aida
Clique na imagem para ampliá-la

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O lema dos macacos velhos?

Cada malaco no seu galho.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Equação difícil

Como saborear o canto das sereias sem cair no conto delas?

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O escritor está sempre na lona?

“Por que resolvi encerrar a carreira? Porque não tenho mais a resistência física para suportar a derrota. Escrever é frustração – frustração diária, sem falar na humilhação. Não consigo mais encarar dias em que jogo fora cinco páginas recém-concluídas. Não posso mais fazer isso.”

Do romancista norte-americano Philip Roth, que completa 80 anos em março 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Desenho pergunta?

Décima ilustração de uma série que o artista
paulistano Ganu publica semanalmente neste blog
(clique na imagem para ampliá-la)

sábado, 24 de novembro de 2012

Sem filhos

Sou um. Deixarei nenhum. Bom negócio?

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Descartes apaixonado

“Pra que buscar
palavras na razão?
Me diz pra quê?
Se gente é coração”

Trecho de Quando Você Não Está Aqui,
canção de Herbert Vianna e Paulo Sérgio Valle 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O que ganho em antecipar o vazio?

“Não,  é claro que os ossos não sentem nada no
seu paletó de madeira abotoados para sempre.
Eu – que os tenho ainda profundamente, ou que
a eles me atenho ainda cheio de esperança, ou que
por eles sou tido ainda, quem sabe? – é que pressinto
seu improvável tédio, sua gelada saudade, sua falta
de carne, de amor, de alegria ou tristeza, seu horror
ao movimento depois do último abandono, seu frio
impedimento de articulação ou rima, seu arraigado
conservadorismo, sua fatal abstinência, seu medo
de enchente, obra, terremoto e bombardeio.”

Pernas de Verso, poema de Sérgio Alcides
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