Sou brasileiro. Não me desplugo nunca

“Um escritor português amigo meu foi quem falou: Portugal tem o Saramago, Chile o Pablo Neruda, Argentina o Borges, Colômbia o Márquez. O Brasil tem a televisão. Isso quando não tem Paulo Coelho. Não. Diz meu amigo: não falo de autoajuda. Falo do romance-exportação. Novel em inglês é romance. Novela em espanhol idem. Já novela, aqui, é a que passa em horário nobre. O pobre fez da TV o seu livro de cabeceira. Diz meu amigo português: sabe por que a internet é tão acessada no Brasil? O Face, o Twitter, não sabe? Porque o brasileiro, no fundo, gosta é de ver TV. Daí o sucesso dos iphones, não se engane. O tempo inteiro estamos ‘assistindo’ a algo. Somos mais telespectadores que leitores. Damos audiência muito mais do que atenção. Não fomos treinados para a concentração. Brasileiro adora o conteúdo pronto. Em movimento. Desistimos há tempo da literatura complicada. Machado de Assis que nada! Dizemos que não temos tempo para abrir uma página. Mas abrimos linques como quem muda de canal. Segundo o meu amigo: por causa dessa cultura televisiva, estamos sendo os primeiros a levarem a sério os e-books, os livros animados, os tablets cheios de efeitos especiais. Eta danado! O Brasil sempre esteve na frente, entende, meu caro? Vocês largaram os livros porque já sabiam o fim deles. A extinção. Alienados, não. Defende o português: antenados é o que vocês são.”

Tudo a Ver, post de Marcelino Freire no blog Ossos do Ofídio
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