Por que insistimos em buscar certezas num mundo tão incerto?

[Embora a vida esteja sempre mudando,] o ser humano se aferra de forma natural ao conhecido, ao previsível. À medida que nos transformamos em adultos, nos acostumamos a fazer as mesmas coisas e esperamos resultados que nos são familiares. Isso produz uma sensação de controle que nos acalma, mesmo se estivermos há muito tempo entediados com nossa rotina. Ignorar o que acontecerá equivale a sair do nosso lar para entrar num mundo imprevisível, sem saber o que ele nos proporcionará.
Aquilo que em psicologia se batizou como ‘zona de conforto’ foi definido por Brené Brown, pesquisadora social da Universidade de Houston, como o território onde a incerteza, a escassez e a vulnerabilidade são mínimas, ou seja, onde cremos haver espaço suficiente para o amor, a comida, o talento, o tempo ou a admiração. Resumindo: ‘Um lugar onde acreditamos ter algum controle’. Apesar de a vida estar cheia de imprevistos e de essa segurança que desejamos ser ilusória, ao abandonar a zona de conforto – por exemplo, em um novo emprego ou no início de um relacionamento – nos sentimos ansiosos e até mesmo estressados.
Já foi demonstrado, no entanto, que é justamente em situações desse tipo que a criatividade é potencializada. Do mesmo modo que o motorista que faz sempre o mesmo trajeto corre o risco de dormir por falta de estímulos e sofrer um acidente, enfrentar situações graves nos impulsiona a tirar o melhor de nós mesmos, já que nossos cinco sentidos estão dedicados a aprender com esse mundo desconhecido. No primeiro encontro com alguém de quem gostamos, a conversa adquire um nível de frescor e criatividade que depois, numa relação estável, fica difícil alcançar. Isso prova que a incerteza nos faz crescer.”

Trecho de O poder da incerteza, artigo de Francesc Miralles
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