Mesmo quando se trocam os presidentes, o poder não muda de mãos?

“O tão falado conservadorismo do Congresso não é tanto de ordem ideológica. Aliás, ideologia ou projeto político é algo que passa longe da maioria dos parlamentares brasileiros. O conservadorismo expressa mais que tudo a defesa dos interesses de quem sempre comandou o país e paga as campanhas. As reformas populares não estão bloqueadas há décadas na sociedade brasileira por acaso. Alguém acha que a bancada ruralista permitirá uma reforma agrária? Ou que o lobby dos bancos no Legislativo e nos governos dará sinal verde para a reforma do sistema financeiro? Ou ainda que o setor imobiliário e as empreiteiras permitirão que os governos que eles financiaram faça reforma urbana? O financiamento de campanha eleitoral é um poderoso instrumento de poder. Quem paga a banda escolhe a música, diz o velho dito. E assim é. Para não acharem que é papo de comunista, cito o juiz eleitoral Marlon Reis: ‘Chegamos ao grau da insustentabilidade. As eleições são um jogo comprado no Brasil’. Teremos neste ano as eleições mais caras da história, com investimentos milionários de grupos de interesse de vários setores da economia. Neste cenário, esperar que o próximo governo, seja Dilma, Marina ou Aécio, tenha independência para fazer as mudanças em favor da maioria do povo é de uma ingênua ilusão. Ilusão produzida sob medida pelo marketing eleitoral, que, por sua vez, é pago com o dinheiro daqueles que seguirão dando o tom na política brasileira. ”

Trecho do artigo Eles venceram outra vez, de Guilherme Boulos
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