Que tal celebrar o amor com o mais fino horror?

“Era uma noite linda em São Luís, no Maranhão, onde (…) se reuniram cerca de 200 profissionais de casamentos e algo como 30 noivas. (…) Aí uma cerimonialista perguntou o que eu achava da moda de soltar borboletas na igreja ao final da celebração. Ora, já ouvi falar dessa coisa bem brega (e ecologicamente criminosa), mas achava que era um caso isolado de uma noiva muito sem noção. Engano meu: a moda continua – e com requintes de crueldade!
Embatuquei na pergunta: disse que achava de péssimo gosto e pedi detalhes do procedimento. E ouvi de várias – não apenas de uma, mas de vááárias profissionais – os seguintes relatos: as borboletas chegam de Salvador  em caixas furadas para ventilar, mas pequenas para que não se mexam muito. No aperto, se estressam e muitas morrem. Ainda: como não é uma coisa baratinha, as noivas exigem que sejam contadas e, para isso, é preciso abrir as caixas. Para que não voem, as borboletas são colocadas por um certo tempo na geladeira. Desse modo, ‘desmaiam’ e podem ser contadas…
Tá achando horrível?? Pois piora: na hora de soltá-las, como estão entre desmaiadas e mortas, é preciso acordá-las em instantes, para não perder o timing da música da saída da noiva. As cerimonialistas são obrigadas, portanto, a bater nas caixas, e as borboletas se assustam e, aí quando abrem a tampa, voam. (…)
Alguém acha que esse tipo de tortura condiz com a solenidade do momento? Será possível que ninguém – entre a cerimonialista, o decorador, o padre e a família dos noivos – consiga incutir um mínimo de compaixão (já que o mau gosto impera) nesses coraçõezinhos apaixonados das noivas, que não hesitam em destruir em segundos uma das mais delicadas belezas que a natureza criou?”

Trechos do blog de Claudia Matarazzo
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