Causa mortis? Overdose de si

“de tanto curvar-se para olhar o próprio umbigo, um dia o sujeito não pôde mais ficar ereto. com a coluna dobrada ao meio, estudou técnicas tântricas de respiração para que os pulmões funcionassem sem prejuízo de sua saúde, ao mesmo tempo em que reaprendeu a andar baseando o centro de equilíbrio na junção das nádegas esquerda e direita. camisas ganharam botões nas costas, colheres tortas substituíram os antigos garfos, e aos poucos consumaram-se as adaptações necessárias de modo que seu mundo seguisse com poucas alterações significativas. graduou-se com louvor em seis semestres, conheceu a nova zelândia, e aos vinte casou-se com rosa no interior do tocantins. por tornar-se monotemático e tedioso, viu – pelo canto dos olhos – partirem mulher, filho e outros poucos amigos. foram décadas, ao que se sabe, até sua testa colar-se definitivamente ao ventre sem qualquer possibilidade de cura.”

Do blog Ela Tatuou Palavra, de Marcella Franco

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