Basta uma esmolinha?

“Os pobres não esperam mais e querem ser protagonistas. Organizam-se, estudam, trabalham, exigem e sobretudo praticam aquela solidariedade tão especial que existe entre os que sofrem e que a nossa civilização parece ter esquecido ou, pelo menos, tem grande vontade de esquecer. Solidariedade é uma palavra que nem sempre agrada [e que engloba] muito mais do que alguns gestos de generosidade esporádicos. É pensar e agir em termos de comunidade. É priorizar a vida de todos sobre a apropriação dos bens por parte de alguns. É também lutar contra as causas estruturais da pobreza, a desigualdade, a falta de trabalho, de terra e de casa, a negação dos direitos sociais e laborais. É fazer face aos efeitos destruidores do império do dinheiro: as deslocações forçadas, as emigrações dolorosas, o tráfico de pessoas, a droga, a guerra, a violência e todas aquelas realidades que muitos de vós suportam e que todos estamos chamados a transformar. A solidariedade, entendida no seu sentido mais profundo, é uma forma de fazer história. (…) Já não se pode enfrentar o escândalo da pobreza promovendo estratégias de contenção que só tranquilizam e transformam os pobres em seres domesticados e inofensivos. Como é triste ver que, por trás de presumíveis obras altruístas, se reduz o outro à passividade ou, ainda pior, se escondem negócios e ambições pessoais. Jesus definiria tais atitudes de hipócritas.”

Trecho do discurso que o Papa Francisco proferiu em outubro, no Vaticano, durante o Encontro Mundial dos Movimentos  Sociais
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