"Aqui tudo parece que é ainda construção e já é ruína"

“Cuidado, ele está solto por aí. É o homem-projeto, um onipresente. Está em todos os salões, lançamentos, vernissages, guichês de isenção fiscal, concursos da Petrobras, festas, restaurantes da moda, bares descolados, na praça Benedito Calixto (SP), na feira chique de produtos orgânicos do Leblon, no Baixo Gávea, em Porto Alegre, no Recife, Dragão do Mar em Fortaleza, Salvador… Com o aumento do contingente no exército de reserva, nem se fala, o homem-projeto começou a se multiplicar como gremlins. Uma praga.
‘Por falar nisso eu tenho um projeto…’
‘Acabei de inscrever um projeto…’
‘Estou preparando um projeto…’
‘Estou captando para um projeto…’
‘Copiaram o meu projeto…’
‘Puta projeto…’
O macho e a fêmea-projeto alimentam a paranoia delirante do plágio dos seus projetos. Alguém na sombra estará sempre copiando as suas ideias. Originalíssimas, diga-se. Fazem um mistério danado dos seus projetos. Quando contam, tudo não passa de algo tão novo quanto uma missa do galo, tão inédito quanto ‘no princípio era o verbo’.
Se tem algo que não se rouba em um país de obras inacabadas é projeto. Se há mais projetos que larápios, que sentido faz o rapto?”

Trecho de O Homem-Projeto, a Obra Aberta e o Macho Inacabado, crônica de Xico Sá
(o título do post é um trecho da canção Fora da Ordem, de Caetano Veloso)

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