Aventura em Havana

Os Últimos Soldados da Guerra Fria, décimo livro-reportagem de Fernando Morais, reconstitui a mirabolante trajetória dos 15 agentes secretos de Fidel Castro que se infiltraram nos Estados Unidos para impedir ações terroristas contra Cuba 

As imagens da época não mentem (o Photoshop só apareceria muito tempo depois…): em 1975, Fernando Morais ostentava um autêntico look meia-oito. Tinha 29 anos e uma senhora cabeleira, tão negra e farta quanto desgrenhada. A barba, igualmente volumosa, lhe roubava boa parte do rosto gorducho. Um tanto selvagem, a fisionomia lembrava a dos hippies que, desde a década de 1960, se opunham à Guerra do Vietnã com músicas pacifistas, batas coloridas e chás de cogumelo. Também evocava a dos jovens barbudos que, em 1959, se armaram para sufocar o totalitarismo de Fulgencio Batista na pequenina Cuba e, mais tarde, implantar uma ditadura comunista por lá. Entre a turma do flower power e a da Sierra Maestra, Fernando se identificava com ambas. Fugia dos ternos e das gravatas, mesmo que às vezes necessitasse usá-los profissionalmente, e declarava-se adepto do marxismo, apesar de não integrar nenhuma facção vermelha. Já batalhava como repórter, ofício que abraçou na adolescência, em Belo Horizonte, mas não conquistara a fama de que desfruta agora. Por outro lado, não engrossava o rol dos completos desconhecidos. Cinco anos antes, lançara com o colega Ricardo Gontijo e o economista Roberto Campos o livro Transamazônica, que reunia um artigo e reportagens sobre a construção da polêmica rodovia. A coletânea logo se revelou um sucesso. Vendeu cerca de 30 mil exemplares, marca ainda hoje respeitável.
Naquele início de 1975, sob o governo linha dura (e nada à esquerda) do general Ernesto Geisel, o jornalista mineiro enveredou por um novo e conturbado tema, que lhe rendeu o primeiro livro-solo, A Ilha. Ele passou quase 60 dias em Cuba para retratar o cotidiano de seus habitantes. Na ocasião, o Brasil não mantinha relações diplomáticas e comerciais com o país caribenho – o divórcio ocorrera pouco depois do golpe militar de 1964. Fernando planejava editar a série de reportagens na revista Visão, de São Paulo, onde trabalhava. Entretanto, o dono da publicação, Henry Maksoud, um ruidoso adepto do liberalismo, a rejeitou. Julgou o calhamaço excessivamente favorável à revolução liderada pelos irmãos Fidel e Raúl Castro, por Che Guevara e por Camilo Cienfuegos. O repórter decidiu, então, transformar a matéria num livro, que saiu em 1976. A Ilha, de fato, enfatizava as vitórias do “socialismo moreno”: a erradicação da mendicância, a eficaz luta contra a mortalidade infantil, o analfabetismo zero e a inexistência de crianças abandonadas pelas ruas. Não abdicava, no entanto, de apontar mazelas como o racionamento de comida e a censura à imprensa. Rapidamente, alcançou vendas superiores às de Transamazônica. Foram mais de 100 semanas frequentando as listas de best sellers.
Três décadas e meia após a façanha, Fernando assina outro livro sobre Cuba, Os Últimos Soldados da Guerra Fria, que chega às lojas neste mês com tiragem de 30 mil exemplares. Trata-se novamente de uma reportagem, só que em ritmo de aventura. As 360 páginas do relato, acrescidas de 123 fotos, resgatam a trajetória dos 15 espiões que, recrutados por Havana, se fixaram no estado norte-americano da Flórida entre 1990 e 1998 para cumprir uma única missão: ingressar em grupos radicais que desejavam matar o então presidente Fidel Castro e promoviam atentados contra a indústria turística cubana.

 Rajadas de metralhadora
Quando o comunismo ainda reinava no Leste Europeu, a belíssima ilha do Caribe, que possui 1,2 mil quilômetros de praias, se sustentava graças à ajuda econômica da União Soviética (URSS) e à exportação de açúcar, tabaco, rum e níquel. As reservas decorrentes do turismo beiravam a insignificância. No finzinho da década de 1980, a rede hoteleira local dispunha de 10 mil apartamentos, que abrigavam menos de 300 mil estrangeiros por ano, geralmente operários das nações socialistas, com baixo poder aquisitivo.
Mal a URSS se dissolveu, em 1991, as torneiras que derramavam dinheiro sobre Cuba secaram e Fidel se viu impelido a garimpar fontes alternativas de renda. O turismo impôs-se como a melhor saída. O governo se abriu para a iniciativa privada e autorizou que empresários canadenses, espanhóis e franceses investissem bilhões de dólares na construção de resorts e hotéis luxuosos. Resultado: em 1997, a safra de açúcar decaía, enquanto a rede hoteleira somava 30 mil apartamentos, que receberam 1,5 milhão de estrangeiros.
À medida que Cuba brigava para continuar respirando, os adversários de “El Comandante” se ouriçavam no sul da Flórida, a irrisórios 160 quilômetros de Havana. A ensolarada região atraía inúmeros exilados: desde artistas e homossexuais perseguidos pela revolução até aqueles que almejavam recuperar bens confiscados. A fatia mais belicosa dessa comunidade fundou ali várias organizações de direita, patrocinadas por antigos donos de bancos, indústrias e usinas de açúcar que Fidel expropriou e o Tio Sam reergueu. Em 1991, os Estados Unidos acolhiam 41 células do gênero. Oficialmente, todas se declaravam sem fins lucrativos e políticos. Mas, na verdade, a maioria pregava o confronto armado com o inimigo, não raro sob a complacência norte-americana.
Tão logo a máquina turística de Cuba engrenou, tais instituições decidiram recrudescer uma prática de que lançavam mão esporadicamente: treinar seus associados ou contratar mercenários para realizar atos terroristas. O alvo, desta vez, seriam agências de viagem, hotéis, boates, restaurantes, navios e aviões cubanos. Os antagonistas de Fidel buscavam amedrontar os estrangeiros e afugentá-los de Havana, Varadero e outros lugares muito requisitados. “A opinião pública internacional precisa saber que é mais seguro passear na perigosa Bósnia-Herzegovina do que em Cuba”, alardeavam panfletos distribuídos pelos anticastristas. Ao longo dos primeiros cinco anos que sucederam a derrocada da URSS, houve 127 agressões à ilha. Só o hotel Guitar – um quatro estrelas situado à beira-mar na praia de Cayo Coco – amargou três ataques. Barcos oriundos de Key West, uma cidade da Flórida, dispararam rajadas de metralhadoras contra os hóspedes durante o verão de 1993, deixando alguns feridos. À mesma época, 16 aviões que sobrevoavam o país repletos de turistas acabaram sequestrados. Uma das aeronaves, desviada para o aeroporto de Fort Myers, também na Flórida, nunca retornou. Os Estados Unidos não a devolveram.
No segundo semestre de 1997, bombas estouraram em seis pontos de Havana: o histórico restaurante La Bodeguita del Medio e os hotéis Capri, Nacional, Copacabana, Tritón e Chateau. Não bastassem os prejuízos materiais que as explosões causaram, uma delas arruinou a audição de um garçom e outra levou à morte o turista italiano Fabio di Celmo. O rapaz de 32 anos teve a carótida perfurada por estilhaços do cinzeiro cilíndrico de alumínio onde o artefato se encontrava.
Os meios de comunicação norte-americanos não se furtavam de noticiar a violência contra o país insular. Uma longa entrevista que o prestigioso jornal The New York Times divulgou em cinco partes se revelou especialmente didática. Inquirido pelos repórteres Larry Rohter e Ann Louise Bardach, Luis Posada Carriles, um dos ferrenhos opositores de Fidel nos Estados Unidos, teceu elos entre as facções anticastristas e o terrorismo. A resposta dos exilados mais fundamentalistas à série de matérias não tardou. Quando o primeiro texto saiu, Rohter – que, depois, se tornaria correspondente do NYT no Brasil – recebeu telefonemas ameaçadores: “Ei, comunista, tenga cuidado. Te estamos mirando!” Assim que a terceira reportagem ganhou as bancas, um carro em alta velocidade avançou sobre a casa onde o jornalista morava com a mulher e os filhos. Um tiro de escopeta, desferido do veículo, estraçalhou a porta da residência, localizada no sul de Miami. Passaram-se dois dias e, estranhamente, Rohter perdeu o freio de seu Chevy verde, o que desencadeou um acidente sem vítimas. Exames provaram que uma sabotagem causou o defeito no automóvel.
Mesmo antes do boom turístico, Cuba já enfrentava o terrorismo, ainda que com menos regularidade. Em outubro de 1976, por exemplo, uma bomba destruiu um DC-8 da Cubana de Aviación, que partira de Barbados rumo à Jamaica. Dez tripulantes e 62 passageiros morreram.
Foi principalmente para driblar armadilhas dessa natureza que a alta cúpula do governo idealizou a Rede Vespa, o time de espiões que se infiltrou em grupos anticastristas das cidades de Key West, Tampa e Miami. Os informantes – 13 homens e duas mulheres – ocuparam a Flórida devagar: o primeiro no dia 8 de dezembro de 1990 e o último no verão de 1998. Todos deveriam mapear o maior número possível de ações terroristas em gestação. Conhecendo os planos dos rivais, Havana procuraria abortá-los.
Embora não conseguisse descobrir 100% das conspirações, a Rede Vespa se mostrou bem hábil. Impediu pelo menos 20 atentados e garantiu a prisão em Cuba de 30 criminosos apenas nos 18 meses iniciais de atividade. Certa ocasião, evitou que 900 g de explosivo destroçassem a fervilhante Tropicana, uma das mais célebres boates havanesas. Em outra, viabilizou a interceptação de uma lancha que transportava até a província de Pinar del Río 6 mil balas e cartuchos, quatro fuzis de assalto, duas escopetas calibre .12, três pistolas, uma besta com 20 flechas de aço e um radiotransmissor. Os emissários cubanos também frustraram diversos complôs para liquidar Fidel, como o que iria se desenrolar em novembro de 1994, na Colômbia, durante a IV Cúpula Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo.
Poucos anos depois do homicídio fracassado, caças militares de Cuba derrubaram dois Cessna que, de acordo com Havana, invadiram o espaço aéreo do país. Os aviõezinhos queriam despejar sobre a ilha panfletos contra “El Comandante”. “Está destruída! Pátria ou morte!”, festejou o condutor de um dos caças quando abateu uma das aeronaves inimigas. Quatro pilotos anticastristas morreram naquele sábado de 1996.
Em setembro de 1998, porém, uma cinematográfica investida policial aniquilou a Rede Vespa. Duzentos integrantes do FBI e da Swat deflagraram uma operação que desmascarou e capturou dez agentes secretos (os demais escaparam). Na realidade, e ironicamente, os Estados Unidos espionavam os espiões desde 1995. Metade dos presos aceitou entrar em programas de delação premiada e de proteção à testemunha para se livrar de punições rigorosas. A metade restante aguentou firme e pagou um preço alto. Está em cadeias federais, cumprindo penas que chegam à prisão perpétua. A Justiça lhe atribui, entre vários delitos, o de coletar informações estratégicas do governo norte-americano e o de falsificar documentos. A grande repercussão do caso acabou contribuindo para que os atentados cessassem.   

Indústria da nostalgia
Com uma quantidade impressionante de detalhes e uma narrativa apetitosa, que lembra os thrillers políticos de diretores como Roman Polanski e Alan Pakula, Os Últimos Soldados da Guerra Fria – décimo livro de Fernando – se dedica sobretudo às peripécias de cinco dos 15 agentes e à descrição das células anticastristas (veja quadros ao longo desta matéria). O autor erigiu a trama após percorrer três países em 18 viagens (México, Estados Unidos e Cuba), entrevistar 45 pessoas e consultar, nas palavras dele próprio, “uma montanha de papéis”. A expressão transcende a simples retórica. O jornalista vasculhou 30 mil páginas de relatórios sobre o episódio arquivados na Corte Federal de Miami – algo que qualquer cidadão paciente poderia fazer, já que a documentação é pública. Escarafunchou, ainda, uma caixa plástica de 1 m3, que guardava outra batelada de relatórios, sem contar vídeos, fotos e gravações em áudio. Desta vez, nem o mais teimoso dos cidadãos comuns lograria se aproximar do dossiê. A caixa, afinal, armazenava uma parcela considerável dos dados sigilosos que a Rede Vespa produziu. O escritor obteve permissão para acessá-los devido às relações amistosas que cultiva com os dirigentes de Cuba desde o lançamento de A Ilha (leia texto à página 29). Ele atravessou dez dias cavoucando a “mina de ouro” num quarto do hotel Nacional – requintado prédio em estilo neoclássico espanhol, que data de 1930 e já hospedou personalidades como o ator Marlon Brando, o cineasta Orson Welles e o cantor Frank Sinatra. Quando saiu de lá, o repórter carregava uma pesada mala, que portava cópias do material mais relevante.
Entre os muitos trechos pitorescos do livro, chamam particularmente a atenção aqueles que ressaltam os apuros financeiros dos espiões na Flórida. O governo de Fidel destinava menos de US$ 1.000 por mês para cada agente. A quantia enxuta os mantinha bem longe dos luxos de um James Bond. Na tentativa de inflar o orçamento doméstico, os informantes arranjavam toda sorte de bicos e empregos. Havia quem trabalhasse de cartunista, personal trainer, instrutor de voo e professor de salsa.
Outro ponto forte da reportagem é o perfil que Fernando traça dos exilados cubanos em Miami. O autor não só explicita o peso deles nas eleições presidenciais dos Estados Unidos e a influência que exercem sobre o Congresso norte-americano como também destaca aspectos mais prosaicos de Little Havana, o bairro onde predominam. Alude, por exemplo, à “indústria da nostalgia”, que reproduz cartões-postais, listas telefônicas, cervejas e publicações existentes em Cuba antes do socialismo.

Dinossauro
As imagens de hoje não mentem (ainda que, agora, o Photoshop esteja sempre à espreita): o escritor de 65 anos já não exibe uma barba tão farta e negra quanto a de 1975. Deixou de se parecer com um guerrilheiro, mas segue comunista. “Sou um dinossauro”, brinca. Os Últimos Soldados da Guerra Fria sofre, então, do mesmo mal que Henry Maksoud diagnosticou em A Ilha e se mostra um livro pró-revolução? A resposta tende para o “sim” quando consideramos o mote principal da reportagem, mas aderna para o “não” se analisamos a maneira como Fernando conduziu e costurou suas apurações. Por um lado, o objetivo primordial da narrativa é demonstrar que Fidel teve de lidar com agressões covardes e que, na maioria das vezes, os Estados Unidos preferiram resguardar os terroristas abrigados dentro de suas fronteiras. A obra defende, ainda, que os espiões da Rede Vespa não mereceram da Corte norte-americana um julgamento imparcial. Em contrapartida, menciona as fraquezas de Cuba (execução de dissidentes, burocracia infernal, censura, corrupção de certos dirigentes, voracidade do fisco, desagrado de uma parcela da população) e abre amplo espaço para os opositores de “El Comandante”.
“Escolhi o assunto do livro pensando menos em questões políticas e mais no que a história da Rede Vespa oferece de adrenalina, de suspense, de aventura”, explica Fernando. “Nunca omiti que me afino com o regime cubano, embora não aplauda incondicionalmente qualquer coisa que se passe na ilha. Poderia escrever uma reportagem sobre os aspectos do país que me incomodam? Poderia. Por que não escrevo? Porque Cuba é uma nação acossada, discriminada! Quem quiser escrever que escreva. Eu não! Vou dar mais munição para o inimigo?”

 

Textos complementares

 

Porta-charutos e guaraná
Em setembro de 1998, Fernando Morais ouviu no rádio do carro uma notícia que imediatamente lhe chamou a atenção: o FBI acabara de prender um grupo de agentes cubanos. “Que história! Rende um livro…”, pensou. Até aquele momento, o jornalista não sabia nada do caso. Empolgado, decidiu acionar contatos em Havana para descobrir se conseguiria mais detalhes do episódio. Os sinais que recebeu o desanimaram. Tratava-se de um assunto sigiloso – os dirigentes de Cuba não forneceriam nenhuma informação.
Ocorre que Fernando viaja muito para o país. Cultiva amizades por lá, inclusive dentro do governo. Não se pode dizer que seja íntimo de Fidel ou de Raúl Castro, o atual presidente. Tampouco convém afirmar que guarde absoluta distância da dupla. O escritor conheceu Fidel no início de 1975, quando preparava o livro A Ilha. Reencontrou-o dois anos depois, com a tarefa de entrevistá-lo para a revista VEJA. Desde então, já o visitou diversas vezes. Numa ocasião, lhe deu guaraná de presente. Em outra, ganhou dele uma caixa de prata para guardar os charutos que degusta habitualmente – um após o almoço, mais um após o jantar. O repórter e o anfitrião costumam conversar sobre política, claro. Nos últimos bate-papos, a Venezuela figurou entre os principais assuntos. Ambos defendem o governo de Hugo Chávez.
Sempre que passava por Havana, Fernando reiterava o interesse pela saga dos espiões e, invariavelmente, escutava que não chegara o momento de Cuba ajudá-lo. Em fevereiro de 2005, porém, o presidente da Assembleia Nacional, Ricardo Alarcón – velho amigo do autor –, comunicou que o serviço de inteligência aceitara liberar um dossiê sobre o tema. “Ele não me explicou a razão”, relembra o jornalista. O governo permitiu, ainda, que o repórter colhesse testemunhos dentro do país. Às entrevistas em Cuba, o escritor somou as que realizou nos Estados Unidos e no México com advogados, líderes anticastristas, membros do FBI, alguns agentes presos e outros tantos personagens.
Há risco de o dossiê entregue por Havana conter documentos falsos? “Em hipótese nenhuma”, sustenta Fernando. “Chequei a veracidade de tudo que pus no livro.”  

 

Duas famílias
O major e piloto de caça Juan Pablo Roque, um dos 15 espiões da Rede Vespa, entrou nos Estados Unidos como herói. Depois de abandonar a mulher e os filhos em Havana, nadou até a base naval de Guantánamo, que pertence às Forças Armadas norte-americanas. A travessia levou quase sete horas. Mal pisou na base, Juan ergueu as mãos e mentiu: “Sou oficial cubano. Estou desertando!” O disfarce convenceu os exilados da Flórida, onde o militar se fixou e ganhou o apelido de Richard Gere devido à semelhança com o ator. Para reforçar o ardil, casou-se novamente em Miami. Saiu de lá antes que o FBI o capturasse. Mora atualmente em Cuba.

 

Texano de araque
Chefe da Rede Vespa, o tenente Gerardo Hernández mandava para Cuba os informes que recebia dos outros agentes secretos. Formou-se em relações internacionais pela Universidade de Havana e lutou na guerra civil de Angola entre 1989 e 1990. Enquanto trabalhou como espião, assumiu a identidade de Manuel Viramóntez, texano de ascendência porto-riquenha que morreu quando menino. Hoje cumpre prisão perpétua na Califórnia. 

 

Voo da liberdade
René González integrava o Partido Comunista ao “fugir” de Cuba pilotando um avião russo usado para fumigar campos agrícolas. Aterrissou na Flórida quase sem combustível e se proclamou desertor. O jornal Miami Herald noticiou o fato e chamou o suposto exilado de “audaz”.  Julgado nos Estados Unidos, René amarga 15 anos de prisão.     

 

Os inimigos de Fidel
Entre as diversas organizações anticastristas que operavam na Flórida durante a década de 1990, duas sobressaíam pela virulência. A Hermanos al Rescate – ou Irmãos para o Resgate – possuía um número considerável de  aviões. O cubano José Basulto, próspero empresário da construção civil, a dirigia. Já a Alpha 66 chegou a contar com o patrocínio do norte-americano Henry Luce, fundador e dono da revista Time. Tanto um grupo quanto o outro sobrevoavam Cuba ilegalmente e jogavam sobre a ilha panfletos que condenavam o comunismo.

 

Fã de Stallone
O salvadorenho Raúl Ernesto Cruz León colocou bombas em hotéis e pontos turísticos de Havana. Ele recebia US$ 1,5 mil dos anticastristas para efetuar cada atentado. À época, adorava Ray Quick, perito em explosivos que Sylvester Stallone interpreta no filme O Especialista. Foi capturado por causa das informações colhidas pela Rede Vespa e cumpre 30 anos de prisão. 

(revista Bravo!)

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