Grazi, a lutadora

Separada do ator Cauã Reymond, Grazi Massafera decide investir numa rotina mais lúdica. Convida o irmão (e grande amigo) para morar na casa dela, brinca diariamente de bailarina com a filha e tem aulas semanais de boxe

“Não, de jeito nenhum! Não menti para você no ano passado! Eu realmente acreditava que tudo corria bem lá em casa…” Pela segunda vez nos últimos seis meses, Grazi Massafera se encontra diante de mim. E, de novo, parece absolutamente sincera. Estará me enganando?
Nossa primeira conversa aconteceu no dia 17 de setembro, uma terça-feira, pouco antes da tempestade que desabou sobre a atriz e que a mídia esquadrinhou avidamente: o fim da união com o ator Cauã Reymond. Flor do Caribe – novela protagonizada pela artista, que a Globo exibia às 18h – terminara no sábado. Com a agenda bem mais livre, Grazi pôde se deslocar do Rio de Janeiro para São Paulo, onde participou de um longo ensaio fotográfico, que lhe tomou a manhã e a tarde. À noitinha, após deixar o estúdio e sem demonstrar cansaço, me atendeu no lobby do requintado hotel Emiliano. Duas horas e meia de entrevista nos aguardavam.
Mal iniciou o papo, a atriz contou que, por muito tempo, raramente chorava. Mesmo em cena, não conseguia se desmanchar com facilidade. “Tinha lágrimas encabuladas”, resumiu, frisando que herdara a característica da mãe. Antes de a filha alcançar o sucesso, Cleuza trabalhava de boia-fria e, nas horas vagas, incrementava o orçamento como costureira. Talvez para compensar as fragilidades que atormentam o cotidiano dos pobres, sempre buscou parecer uma fortaleza. Não se permitiu desmoronar nem quando o marido, Gilmar, resolveu partir, farto das brigas conjugais que geralmente culminavamem pancadaria. Ele, àquela altura, já se tornara pedreiro, depois de também penar nas lavouras de café, algodão e cana. Amigou-se com outra mulher logo que deixou o casebre da família em Jacarezinho, município do norte paranaense onde Grazi nasceu e se educou, junto de dois irmãos. Cleuza não disse um ai. Aguentou o tranco de cabeça erguida, sem molhar nem sequer um lenço. Provavelmente as coisas não se deram 100% dessa maneira. Foi assim, no entanto, que a estrela relembrou a traumática separação. “Minha mãe acabou nos transmitindo a ideia de que os fortes não choram. Eu me achava forte. Então…”
No finalzinho da entrevista, a atriz se pôs a falar sobre a única filha, Sofia, fruto da relação com Cauã. A menina completara 1 ano em maio de 2013. Lógico que Grazi quis festejar a data. “Não programei nada de excepcional. Somente um bolinho, que serviria em nossa casa mesmo.” Ela e o então marido viviam na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, desde 2009. À época da celebração, a intérprete ainda gravava Flor do Caribe. Precavida, tão logo aceitou representar a mocinha da novela – a guia turística Ester Schneider –, perguntou à Globo se poderia tirar folga no aniversário de Sofia. Sim, claro, lhe prometeram. Um mês antes da comemoração, repetiu a pergunta e escutou nova resposta positiva. Uma semana antes, idem. Só que, no dia D, a emissora quebrou o acordo e a recrutou. Grazi, consternada, deixou as gravações muito tarde e precisou adiar a festa.
À medida que narrava a história, a atriz ia perdendo o ar descontraído. De repente, mordeu os lábios, respirou fundo e se calou. Tentou impedir a avalanche que se avizinhava, mas fracassou. Constrangida, irrompeu num choro discreto, embora persistente. “Desculpe… Nunca me ocorreu… Não durante uma entrevista. Basta recordar aquele dia que me bate um aperto… Você consegue avaliar o tamanho do meu desapontamento? Era o primeiro aniversário da Sofia. Criei uma expectativa imensa e…” Após se reequilibrar, comentou: “Vê como mudei? Filhos… Que impressionante, meu Deus! Virei outra pessoa com a gravidez. Furei o bloqueio. Agora me comovo diante de qualquer bobagem: ‘Ai, o gato cruzou o jardim… Tomou um golinho d’água… Buááá!’”.
Ela também explicou que o coração inusitadamente à flor dos olhos acabou lhe trazendo dissabores. Muita gente a flagrou em prantos nos camarins e corredores da Globo. “Chorava realmente, mas por ter saudades da Sofia, ou pelo acúmulo de trabalho, ou em razão de umas cenas mais emotivas que andava estudando.” O excesso de lágrimas atiçou os jornalistas e desencadeou a boataria de que Grazi atravessava uma séria turbulência doméstica. “Até minha mãe me ligou, preocupada: ‘Pode se abrir. Você vai se separar do Cauã?’ Não, não vou! Juro que admitiria caso estivéssemos mal. Negar para quê? Na verdade, sofri à beça por me defrontar com tanto zum-zum-zum justo quando descobria a maternidade.”
Cinco semanas depois, a ruptura do casal – um dos mais lindos e idealizados do Brasil – se tornou pública. A notícia circulou à exaustão, acrescida de um ingrediente apimentado: Isis Valverde, que contracenara com Cauã em Amores Roubados, minissérie ainda inédita naquele instante, seria o pivô do rompimento. Os vértices do suposto triângulo acionaram imediatamente seus assessores de imprensa e trataram de rebater a informação. Ninguém acreditou nas contestações.
Desde então, uma insistente pulga hospedou-se atrás de minha orelha. O que, afinal, se deu no lobby do Emiliano? Grazi mentiu? Emocionou-se de fato ou arquitetou uma situação adequada à imagem de que permanecia num casamento harmônico, mas fustigado pelas línguas ferinas? Passaram-se os meses e, em março, surgiu a oportunidade de um reencontro com a artista, agora num polo cinematográfico do Rio. De cabelos presos, shortinho jeans e camisa social listrada, Grazi me recebeu dentro de um minúsculo camarim. Ela terminara de gravar um vídeo para uma das sete marcas que a contrataram como garota-propaganda. Quando lhe expus as dúvidas que me incomodavam, a atriz de 31 anos rechaçou as suspeitas com um híbrido de delicadeza e veemência. “Não pense bobagens! No hotel, apenas relatei o que julgava estar ocorrendo. Só não me peça para entrar em minúcias, por favor. Chega de alimentar fofocas, né?”
Refugiou-se, em seguida, num discurso tão esquivo quanto otimista. “Hoje, sempre que amigos, parentes ou admiradores me questionam sobre a separação, procuro fugir do drama. Perguntam se me recuperei. Por que, meu Pai?! Não fiquei doente! Claro que desentendimentos amorosos machucam, há um luto, uma frustração e tal. Mas não vou posar de vítima nem acusar ninguém de vilão. Escolhi ver as mudanças de um jeito positivo, como uma oportunidade de reinvenção, de aprendizado.” Decepcionou-se com a ideia de casamento? “Nunca! Continuo buscando uma parceria   duradoura e prazerosa, capaz de superar quaisquer obstáculos. Meus pais não conseguiram um relacionamento desses. Já meus avós maternos, sim. Somente a morte os afastou. Queria algo igual…”
Insisti em saber mais detalhes de como Grazi lidou com a dor. Ela se desesperou antes de resolver enxergar positivamente as transformações, maldisse a sorte, se embriagou? “Conhece o filme O Segredo?”, indagou a atriz em resposta. O documentário de 2006, que virou livro, discorre sobre uma hipotética lei natural, a da atração. O fenômeno regeria praticamente tudo que se passa conosco. Nossas emoções, frutos do pensamento, teriam o poder de influenciar o universo. Ou melhor: pensar coisas boas despertaria em nós emoções boas, que atrairiam fatos bons. Equação idêntica valeria para as reflexões negativas. “Eu tento praticar o que o filme ensina. Simples assim.”
Neste mês, Grazi estreará como apresentadora do Superbonita, programa do canal pago GNT. Quanto às novelas, não participará de nenhuma em 2014. Pretende aproveitar a brecha para frequentar cursos de inglês e interpretação. Planeja, igualmente, dedicar o máximo de tempo à filha. “Ela é meu Sol, um anjinho da guarda que me inunda de ânimo. Recentemente, adquirimos o hábito de dançar todos os dias. Sofia me pede: ‘Balé, mamãe!’. Eu não resisto, e a gente brinca de bailarina por uns 40 minutos.” Em fevereiro, a atriz convidou o irmão caçula – “um grande amigo” – para morar com as duas. O rapaz aceitou de imediato, saiu do Paraná e se matriculou numa faculdade carioca. Vai estudar cinema.
Fã de UFC (“assisto inclusive às lutas transmitidas de madrugada”), a artista decidiu ter aulas de boxe. Para descarregar a raiva?, provoquei. Ela despistou outra vez. “Comecei há três semanas e treino em casa mesmo. É um exercício aeróbico incrível! Mobiliza o corpo inteiro. Pareço frágil, mas estou fortinha!” Enquanto falava sobre o esporte, flexionou o braço direito, exibiu o muque e avisou, rindo: “Cuidado, hein! Se não gostar da matéria, irei à redação e encherei você de porrada!”. Será que devo me preocupar?

(revista Claudia)

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