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	<title>Armando Antenore Jornalismo &#187; Minha Primeira Vez</title>
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	<description>Blog das Perguntas e portflólio do jornalista Armando Antenore</description>
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		<title>Faz-me rir?</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Feb 2005 12:14:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armando Antenore</dc:creator>
				<category><![CDATA[Minha Primeira Vez]]></category>

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		<description><![CDATA[Repórter experimenta gás hilariante Nunca vi graça em dentista, mas o Chaplin viu e teve a sacada de transformá-la num piradíssimo curta, &#8220;Laughing Gas&#8221; ou &#8220;Gás Hilariante&#8221; -o que talvez explique por que o cara passou à história como gênio e euzinho sigo apenas passando as minhas calças. O filme é de 1914. Na pele [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><span style="font-family: georgia;"><strong><!--!!!!! FALTA COLOCAR A DATA CORRETA DESSA MATÉRIA!!!--></strong></span></div>
<div><span style="font-family: georgia;"><strong> </strong></span></div>
<div><span style="font-family: georgia;"><strong>Repórter experimenta gás hilariante</strong> </span><span style="font-family: georgia;"></p>
<p><span id="more-638"></span>Nunca vi graça em dentista, mas o Chaplin viu e teve a sacada de transformá-la num piradíssimo curta, &#8220;Laughing Gas&#8221; ou &#8220;Gás Hilariante&#8221; -o que talvez explique por que o cara passou à história como gênio e euzinho sigo apenas passando as minhas calças. O filme é de 1914. Na pele do sonso Carlitos, o comediante arranja um bico em uma clínica odontológica. Certa manhã, um senhor subverte a rotina do consultório por não conseguir segurar o riso. O motivo da gargalhada incontrolável? O anestésico que lhe deram continha óxido nitroso, o tal do gás hilariante.</p>
<p>Adivinhe se não pensei em Chaplin quando li que, há nove meses, o Conselho Federal de Odontologia permitiu o uso do mesmo óxido no país. Sei que o assunto merece respeito. Entretanto não pude resistir à conclusão gaiata: tratar do canal seria, finalmente, uma farra! Prometi às minhas cáries mais profundas que, tão logo pintasse uma chance, experimentaria a novidade.</p>
<p>Novidade, numas. Chaplin não tirou o óxido nitroso (N2O) do nada. Desde o século 19, profissionais da Europa e dos EUA recorrem às propriedades analgésicas do gás. Foi um dentista norte-americano, Horace Wells, quem as descobriu, em 1844. Até então, conhecia-se unicamente a faceta embriagadora da substância -o poder de despertar súbita alegria e sensação de leveza naqueles que a inalassem.</p>
<p>O Brasil demorou tanto para liberá-la por causa de uma ruidosa polêmica. Baseados na experiência estrangeira, os dentistas daqui argumentavam que é seguro aplicar o óxido em consultório sem a presença de um médico. Anestesistas que participavam dos debates se opunham, alegando que existe o risco de o N2O provocar perda de consciência. Acabaram vencidos.</p>
<p>&#8220;Leia esses papéis e assine&#8221;, solicitou a mocinha que me atendeu na clínica de João Roberto Ferreira da Rosa, em Alphaville. Ele figura entre os cerca de mil dentistas brasileiros que já empregam a &#8220;analgesia inalatória&#8221;. Entusiasta do método, preside a Abasco, associação nacional que busca difundi-lo.</p>
<p>O primeiro papel exibia informações sobre o gás. O outro me pedia que autorizasse por escrito a aplicação. Autorizei -e a jovem me conduziu para a temível cadeira &#8220;do motorzinho&#8221;. Uma máscara de plástico tapou meu nariz. &#8220;Nos cinco minutos iniciais, você receberá apenas oxigênio&#8221;, disse o dr. João mal chegou à sala. &#8220;Depois, acrescentarei lentamente o óxido nitroso. Só deixarei de fornecê-lo quando você estiver bem relaxado.&#8221; Hoje, ninguém utiliza o N2O puro. Deve-se misturá-lo com o oxigênio para tornar o efeito inebriante menos intenso.</p>
<p>O dentista esclareceu que, embora amenize a dor, o gás não substitui a anestesia local nem qualquer um dos procedimentos odontológicos costumeiros. &#8220;Sua principal função é acalmar o paciente.&#8221;</p>
<p>Enquanto liberava a substância, dr. João monitorava três de meus sinais vitais: a pressão arterial, os batimentos cardíacos e a quantidade de oxigênio que circulava pelo sistema nervoso central. Assim que aspirei o óxido nitroso, senti pés, mãos e lábios formigarem. Em seguida, minha gengiva adormeceu. Avisei o dentista. &#8220;Vou aumentar a dose&#8221;, alertou. De imediato, o universo deu uma cambalhota. Tomei um susto. Tudo rodava. &#8220;Passa rápido&#8221;, tranqüilizou-me. De fato, passou.</p>
<p>Mergulhei, então, num misto de preguiça e &#8220;tô nem aí&#8221;. Meu corpo quase flutuava. A viagem, no entanto, me pareceu mais estranha que agradável. &#8220;Já podemos começar o tratamento&#8221;, avaliou o doutor. Àquela altura, havia 60% de N2O e 40% de oxigênio no ar que respirava. &#8220;Manterei a proporção.&#8221; Uma hora depois, para me trazer de volta à Terra, comunicou que interromperia a entrada do gás e me faria consumir oxigênio puro durante cinco minutos. Voltei.</p>
<p>Não, em nenhum momento caí na gargalhada. O motorzinho, como de hábito, riu por último.</p>
<p><span style="font-style: italic;">No mundo dos &#8220;istas&#8221; (dentistas, anestesistas etc.), Armando Antenore prefere as passistas. </span></p>
<p></span></div>
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		<title>Torpedos na terra dos três anões</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Mar 2004 13:15:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Armando Antenore</dc:creator>
				<category><![CDATA[Minha Primeira Vez]]></category>

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		<description><![CDATA[Foi a primeira coisa que pensei quando, descendo do táxi, vi os pombinhos de rosto colado. Ele usava blazer branco. Ela, um tailleur cor-de-rosa. Dançavam como se estivessem num baile de formatura. Mas estavam em plena rua, e a voz aguda de Céline Dion os conduzia. Puro &#8220;Ginger &#38; Fred&#8221;. Incrédulo, notei que a música [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Foi a primeira coisa que pensei quando, descendo do táxi, vi os pombinhos de rosto colado. Ele usava blazer branco. Ela, um tailleur cor-de-rosa. Dançavam como se estivessem num baile de formatura. Mas estavam em plena rua, e a voz aguda de Céline Dion os conduzia. Puro &#8220;Ginger &amp; Fred&#8221;.</p>
<p><span id="more-637"></span>Incrédulo, notei que a música brotava de um Gol. Na porta do carro, uma inscrição: &#8220;Loucuras de amor. Emocione quem você ama. Telemensagens para todas as ocasiões&#8221;. Tico e Teco me socorreram: romantismo delivery, mané! O tigrão de branco, imagino, requisitou os serviços do cupido motorizado na esperança de impressionar a pantera cor-de-rosa.</p>
<p>Impressionou -tanto a pantera quanto euzinho. Uma comoção dos diabos (Céline Dion me mata&#8230;). O idílio desenrolava-se diante da Papagaio Vintém, a cervejaria em que me mandaram passar a madrugada. Enxugando as lágrimas (ô, Céline, não me maltrate desse jeito&#8230;), enveredei pela casa.</p>
<p>Deu meia hora, um anão com roupa de carteiro me cutucou. Não havia mais dúvidas. Protagonizávamos, sim, um filme do Fellini. O que desejas, Dunga? Risonho, o pequenino me estendeu um bilhete.</p>
<p>A Papagaio Vintém é célebre por promover, nos finais de semana, um frenético correio elegante. Pode-se afirmar que o estabelecimento oficializou o torpedo. A troca de xavecos manuscritos -que, em outros bares, acontece quase na clandestinidade- conta, ali, com o incentivo da gerência. Três anões, contratados pela cervejaria, fazem as vezes de mensageiros.</p>
<p>Devo avisar que detesto correio elegante. Trauma de infância. Atravessávamos o remoto ano de 1978. Na festa junina do colégio, cismei de me declarar à loirinha que cobiçava desde o pré. Bebi um quentão, lambuzei-me com a coragem dos ébrios e redigi umas mal-traçadas: &#8220;Sou o teu Tony Manero&#8221;. Ele mesmo, o &#8220;latin lover&#8221; que John Travolta interpretava em &#8220;Os Embalos de Sábado à Noite&#8221;, estrondoso sucesso da época. Assinei o papel, reli e, sem alterar uma vírgula, pedi que o entregassem.</p>
<p>Hoje admito que errei em mencionar Tony Manero, sobretudo porque, naquela tarde, a minha infante pessoa vestia traje completo de caipira. Camisa xadrez, chapéu de palha, bigode de carvão. Enfim: um Tony Manero com a cara do Chico Bento. Sacou o tamanho do deslize? A menina, infelizmente, sacou. Prefiro não repetir o que escutei de boquinha tão perfumosa.</p>
<p>Repito, em contrapartida, a genial lição do dr. Freud: aquilo que tu reprimes, malandro, um dia ressuscitará. Depois do infortúnio escolar, apaguei os correios elegantes de minha existência. Julguei-os mortos e enterrados. Eis, no entanto, que&#8230; Abri o bilhete oferecido pelo anão. &#8220;Desculpe o lugar-comum: você vem sempre aqui?&#8221;, indagava a missivista anônima. Como sabia que se tratava de mulher? Não sabia, só tinha indícios. A letra me pareceu feminina e nenhum dos marmanjos presentes dava pinta de que apreciava Village People.</p>
<p>Decidi enfrentar o velho fantasma. &#8220;Venho sempre que você está.&#8221; O anãozinho pegou a resposta e saiu em disparada. Impossível segui-lo com os olhos. A casa, enorme, abrigava uma multidão.</p>
<p>&#8220;Engraçado. Frequento a Papagaio há séculos e nunca te encontrei. Não minta: você é novato aqui.&#8221;</p>
<p>&#8220;Ok. Novato e mentiroso. Cadê você?&#8221;</p>
<p>&#8220;Mistééério! Gosto de te espiar sem que você me veja. Timidez (risos).&#8221;</p>
<p>Espertinha&#8230; O Wando que me habita sentiu-se ainda mais desafiado: &#8220;Indique, ao menos, o menor caminho para alcançar teu coração&#8221;. Cogitei fechar a frase com um &#8220;boneca&#8221; -&#8221;teu coração, boneca&#8221;. Desisti.</p>
<p>&#8220;Meu coração mora longe.&#8221;</p>
<p>&#8220;No problem. Tô a cavalo.&#8221; Yes! Mandei bem à beça (desta vez, por inspiração do Beto Carrero que me habita).</p>
<p>&#8220;Oba! Adoro montar. Não necessariamente em cavalos&#8230;&#8221;</p>
<p>O quêêêê?!? De início, a rapariga se definia como acanhada. Agora, me assalta com um papo de hipismo sem cavalo? Ciclotímica! E se fosse uma Glenn Close, maluquérrima, pronta para me infernizar? Pior -e se fosse um amigo, me trapaceando? Pressionei o anão: quem, afinal, enviava os bilhetes? Não delatou, o sacana. Apenas confirmou que partiam de uma mulher.</p>
<p>Voltei à carga. &#8220;Cavalguemos, então, por toda a noite&#8230;&#8221; Repare que tomei de empréstimo uns versos clássicos do Roberto Carlos: &#8220;Vou cavalgar por toda noite/ Por uma estrada colorida&#8230;&#8221; Estrategicamente, substituí o Wando pelo Rei que me habita.</p>
<p>Despachei a proposta e aguardei o retorno. Passaram-se dez minutos. Quinze, vinte, e nada. De repente, o papelucho: &#8220;Você já comeu batata frita com queijo ralado?&#8221;.</p>
<p>&#8220;I beg your pardon&#8221;! Do que a doida falava? No meu dicionário erótico, não consta batata frita com queijo ralado. Mel, champanhe, morangos, beleza. Mas Elma Chips?!? Rebati em tom telegráfico: &#8220;Explique-se melhor&#8221;. Não se explicou. A tresloucada simplesmente parou de escrever. E o anão permaneceu mudo, sem desvendar a identidade da vamp. Ameacei torturá-lo. Ocorre que, se o fizesse, estaríamos num filme do David Lynch, não do Fellini. Resignado, catei o boné e piquei a mula -digo, o cavalo.</p>
<p><span style="font-style: italic;">O repórter Armando Antenore, 37, magoou.</span></p>
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