segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Nada mais somos do que viajantes desnorteados?

“Estou sozinho, a morte é certa. Não estou em casa, estou em viagem – não sei de onde venho nem para onde vou. O que possuo, o que me resta? Eu mesmo.”
Trecho de O Escritor Montaigne, ensaio de Erich Auerbach

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Há mesmo ética entre os que se proclamam éticos?

“É justo, é correto, é bom fazer o bem por razões que não são as do bem? É certo agir corretamente, mas por razões tortas? Essa pergunta não é nova, mas é a que me ocorre quando me deparo com o desafio do balde de gelo. (…) Sem o prazer de ver famosos pagando mico não doaríamos? Ora, o que parece fazer mais sentido eticamente é: a satisfação de fazer o bem é o próprio bem. Deveria ser uma satisfação pura, independente dos resultados que proporcione. Isso é, bem sumariamente, Kant. Uma decisão ética não pode levar em conta os efeitos que ela terá – significando as vantagens ou desvantagens que trará, para todos, mas particularmente para mim. Dessa maneira se recortam, para usar uma linguagem mais recente, a esfera da ética e a da prudência. Ajo com prudência quando busco resultados positivos. Procuro a vantagem pessoal. Ou, na melhor das hipóteses, diante de uma injustiça percebo que reagir acarretará problemas sérios para mim, ou mesmo para o injustiçado, e procuro uma via indireta para reduzir danos. Já a ação ética não deve levar em conta o que ela há de produzir. Uma injustiça é uma injustiça, ponto, e deve ser confrontada.
Deixemos claro: a maior parte das pessoas, a maior parte das vezes, age (ou pensa agir) com prudência. Mas quem faz a diferença é a pequena minoria de pessoas – e ações – que responde a um clamor ético. Nosso mundo seria um horror não fossem os heróis que, de tempos em tempos, afrontam as potestades, deixam de lado a prudência (‘ho perduto la prudenza’, diz uma personagem do Don Giovanni, de Mozart) e partem para a luta. Muitas vezes sucumbem, mas, se a vida humana tem algum valor além do biológico, é graças a eles. O que seria a humanidade, não fossem esses faróis que abrem caminhos antes insuspeitos? Sem eles, teríamos escravidão, mutilação genital, subordinação das mulheres aos homens, dos pobres aos ricos, dos plebeus aos nobres, tudo isso que – pelo menos nos últimos 200 anos – vem sendo questionado e, ao ser vencido, melhora nosso mundo.
Ou seja, eu dar dinheiro porque um espetáculo semicircense me motivou não é ético. É uma diversão. Traz efeitos positivos, sim, porque o dinheiro vai para uma entidade (nem discuto aqui a entidade ou a causa, porque estou tratando do assunto em tese). Mas justamente o fato de me divertir e de serem bons os resultados caracteriza essa ação como não sendo ética. Não quer dizer que seja imoral ou antiética, tampouco. Apenas está fora do âmbito da ética. Possivelmente, traz ganhos para a causa. Será então vantajosa. Mas aumentará o que chamarei, com alguma impropriedade, de ‘teor ético’ na sociedade? Penso que não.”

Trecho de A ética no tempo do espetáculo, artigo de Renato Janine Ribeiro

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Uma rapidinha. Só que não…

HQ de Adão Iturrusgarai
(clique na imagem para ampliá-la)

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Saberei lidar com a hora de me recolher?

“Vou vender meu barco
Vou deixar de trabalhar
Eu já tô velhinho 
Não consigo mais remar
Vem uma onda de lá
Vem outra onda de cá
O meu barquinho parece que vai virar”

Trecho de Vou Vender Meu Barco, canção de Valentim dos Santos e Marinho Costa Lima
Interpretada por Lucas Santanna

Imagem de Amostra do You Tube

E por Mestre Laurentino

Imagem de Amostra do You Tube

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Dá para ser amigo do inimigo?

“Virou-se uma página na história da esquerda. Do confronto, ela passou à conquista de espaços públicos dentro de um novo tempo democrático que ajudou a construir. Entregou o anel da revolução para não perder os dedos que apontavam o futuro socialista. Teve início, então, o dilema sublinhado pelos grandes cientistas políticos: como fazer a crítica ao neoliberalismo sem um corte epistemológico com os paradigmas capitalistas? Basta limar os dentes da raposa para evitar que ela coma as galinhas?”

Trecho de A esquerda e a pauta das elites, artigo de Frei Betto 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Estômago de cachorro ou de avestruz?

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Sabão em pó dos bons, hein?

Imagem de Amostra do You Tube

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Melhor formar um casal dialético ou homeopático?

“- bem, você que vive lendo, você entende o que é dialética?
- ah, não sei, mas acho que entendo. é quando uma coisa precisa do contrário dela para poder prosseguir e ainda se modificar, entende?
- tipo o quê? tipo pra poder parar de fumar eu precisaria fumar muito, até saturar o corpo de fumo e aí parar?
- é, tipo isso mesmo.
- mas duas coisas iguais também não funcionariam, nesse caso? assim, para parar de fumar, parar mesmo de fumar? isso seria uma antidialética?
- não, isso é homeopatia.”

Trecho de comum de dois, e-book de Noemi Jaffe 

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Ocupação chique

“Não vamos falar aqui de Pedro Álvares Cabral, muito embora a origem das escrituras de imóveis privados sobre áreas públicas esteja nas capitanias hereditárias dos portugueses. Já faz muito tempo e ninguém mais se interessa pelo assunto. O que gera furor é quando os sem-teto descamisados ocupam áreas ou edifícios ociosos para poderem ali morar. É um ataque ao direito e à lei. Onde já se viu, invadir o que é dos outros? Forma-se então uma ‘Santa Aliança’ entre promotores, o Judiciário e políticos de plantão em defesa do Direito à Propriedade. ‘Invadiu, tem que desinvadir!’, disse certa vez o governador de São Paulo para delírio da elite paulista.
Pois bem, é preciso ser coerente. Invadiu, tem que desinvadir? Vamos lá então. Apenas na cidade de São Paulo as áreas públicas invadidas ou com concessão de uso irregular para a iniciativa privada representam mais de R$ 600 milhões de prejuízo anual para o poder público. A CPI das áreas públicas de 2001 mostrou que as 40 maiores invasões privadas representavam na época 731 mil m² de área. E quem são os invasores?Comecemos pelo setor de divertimentos. Os clubes Pinheiros, Ipê, Espéria, Paineira do Morumby e Alto de Pinheiros estão total ou parcialmente em áreas públicas e com cessão de uso irregular. Invadiu, tem que desinvadir! Cadê a bomba de gás na piscina do Morumbi? Ah sim, isso sem falar no Clube Círculo Militar de São Paulo e no Clube dos Oficiais da Polícia Militar. E aí, quem topa despejar?”

Trecho de Quem são mesmo os invasores?, artigo de Guilherme Boulos

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Todo fofoqueiro é um conservador?

“A fofoca atua como um policial do status quo. Tudo que saia do quadradinho, do caretinha, o ti-ti-ti quer enquadrar.”

Do ator Paulo Betti
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