sexta-feira, 27 de março de 2015

Tão perigosos quanto chacais?

Tirinhas de Allan Sieber

sexta-feira, 27 de março de 2015

Estou enganado ou o novo sucesso de Fernando & Sorocaba tenta justificar a violência contra a mulher?

“Ei, você, que acha que eu sou louco, sou safado
Eu tava meio bebo, tava meio emocionado
Mas eu sou um anjo, anjo
Bobeia pra ver que eu te faço um estrago

Só porque eu te puxei pelo braço
Agarrei no seu cabelo e te dei um abraço
E falei baixinho no seu ouvidinho:
Vamos lá pra casa que eu faço gostosinho

Tava tonto demais, nem percebi
As amigas dela tão rindo
Será que é de mim?”

Letra de Bobeia pra Ver, canção de Sorocaba e Caco Nogueira
Imagem de Amostra do You Tube

sexta-feira, 27 de março de 2015

O que os desastres aéreos nos ensinam sobre a democracia?

“O vôo Germanwings 9525 (caso a versão atual se confirme) é uma metáfora política quase perfeita. Ser passageiro de um avião voando a 10 mil metros de altura é como ter a vida nas mãos de um ditador, que pode levar-nos ao ápice da fartura e do bem-estar, como o recém-falecido Lee Kuan Yew, ou, como o copiloto alemão, despedaçar-se conosco nas encostas alpinas. Este último chegou ao poder absoluto através de um golpe palaciano, mas havia chegado perto do poder subindo os árduos degraus da hierarquia burocrática ou técnica com todos os controles que esta possui. Obviamente, o ideal seria nunca, nunca mesmo, delegar a ninguém o poder absoluto sobre nossas vidas, e, nos limites da metáfora, já que não é possível todos aprendermos a pilotar, muitos podem deixar a viagem pra lá, outros podem ir de carro etc. Ainda assim, alguma hora, surgirá alguma situação similar, como ter que se submeter à anestesia geral para ser operado, algo que não requer menos confiança e entrega do que tomar um avião. Estatisticamente, porém, quanto mais vezes delegamos a vida a outrem, maior o risco total que corremos e, voltando à política, a democracia (provavelmente impossível a 10 mil metros de altura) ainda é a maneira ‘menos pior’ de administrar o perigo.”

Do poeta e tradutor Nelson Ascher

quinta-feira, 26 de março de 2015

Uma insignificância muito significativa

“Li o primeiro capítulo de Uma Breve História do Tempo quando o Pai ainda estava vivo e fiquei com as botas incrivelmente pesadas ao perceber como a vida é relativamente insignificante e como, se comparada ao universo e ao tempo, a minha existência não faz diferença nenhuma. Enquanto o Pai me botava na cama àquela noite e conversávamos sobre o livro, perguntei se ele podia imaginar uma solução para esse problema. ‘Que problema?’ ‘O problema da nossa relativa insignificância.’ Ele disse ‘Bem, o que aconteceria se um avião largasse você no meio do deserto do Saara e você pegasse um único grão de areia e o movesse um milímetro?’. Falei ‘Eu provavelmente morreria de desidratação’. Ele disse ‘Estou falando só daquele momento, quando você movesse o pequeno grão de areia. O que isso significaria?’. Eu falei ‘Eu não sei, o quê?’. Ele disse ‘Pense nisso’. Pensei naquilo. ‘Acho que eu teria movido um grão de areia.’ ‘E isso significaria o quê?’ ‘Significaria que eu movi um grão de areia?’ ‘Significaria que você transformou o Saara.’ ‘E daí?’ ‘E daí? O Saara é um deserto imenso. E existe há três milhões de anos. E você o transformou.’ ‘É verdade’, falei, me sentando. ‘Transformei o Saara!’ ‘E isso significa o quê?’ ‘O quê? Me diga.’ ‘Não estou falando de pintar a Mona Lisa ou achar a cura para o câncer. Estou falando somente de mover um milímetro aquele grãozinho de areia.’ ‘É?’ ‘Se você não tivesse feito isso, a história da humanidade teria sido de um jeito…’ ‘Hum-hum’ ‘Mas você fez, portanto..?’ Fiquei em pé na cama, apontei o dedo para as estrelas de mentirinha e gritei ‘Mudei o curso da história da humanidade!’. ‘Isso mesmo!’ ‘Mudei o universo!’ ‘Mudou.’ ‘Sou Deus!’ ‘Você é ateu.’ ‘Eu não existo!’ Caí de costas de volta na cama, nos braços dele, e rachamos o bico juntos .”

Trecho de Extremamente Alto e Incrivelmente Perto, romance de Jonathan Safran Foer
Dica de Rafael Tonon

quinta-feira, 26 de março de 2015

Sobre a beleza de certas mentiras

“- O poeta continua a ser um fingidor e a poesia, um ‘fingimento deveras’?
- Ou é isso, ou é mentir desgraçadamente. Melhor continuar mentindo com alguma graça (isto é, fingindo, ficcionando).”

Trecho de uma entrevista com o poeta gaúcho Eduardo Sterzi

terça-feira, 24 de março de 2015

Pobre do amor que não ousa?

“Tá tudo padronizado
No nosso coração
Nosso jeito de amar
Pelo jeito não é nosso não”

Trecho de Mira Ira, canção de Karina Buhr
Interpretada pela própria Karina
Imagem de Amostra do You Tube

terça-feira, 24 de março de 2015

Alvo errado

“O país está enfrentando uma crise bastante sentida e vão se escandalizar por causa do beijo casto de duas atrizes experimentadas, que têm quase cem anos?”

De Fernanda Montenegro, comentando a polêmica cena que dividiu com Nathália Timberg no início da novela Babilônia  

segunda-feira, 23 de março de 2015

Por que não babo o ovo para o modelo tradicional de família?

“Deus tava entediado, fez um curso de cerâmica e resolveu moldar um boneco. Soprou e deu-lhe vida. Vê que bafo da gota. Aí Adão entediado exigiu uma companheira. Vê a carência. Deus arrancou uma costela dele e, PAM!, Eva na área. Viviam eles com os bichinhos, sem trabalhar nem bater um prego num sabonete Dove molhado (ninguém reclama que o governo sustentava, né?), no maior paraíso. Só não podiam comer uma fruta que Deus proibiu, era dele. Vê a proteção de privilégios exclusivos.
Aí Adão e Eva, depois de usarem alguma ervinha mais aditiva, bateram um papo com uma cobra e resolveram desobedecer. Foram lá e mandaram a fruta pro bucho. Adão botou a culpa em Eva, que o havia seduzido, como se ele não fosse maior de idade. Vê o machismo, a criancice e a falta de responsabilidade em assumir os erros. Deus deu piti e expulsou eles do bem-bom. Viraram sem-teto por causa de uma fruta roubada. Vê a crueldade. A família perder hospedagem e ajuda de custo porque fez um ato que qualquer maloqueiro faz. No máximo, uma pena alternativa de replantar árvores.
Mas Adão e Eva tiveram de começar a ralar e ralar e rolar pra botar menino no mundo. Tiveram dois pirraias. Abel era todo limpinho, comportadinho, santinho, roupinha transada, cabelinho escovado e recebia os elogios. Caim era mais sapeca, desajustado, malamanhado e sobravam as lapadas pra ele. Ou seja, o mais rebelde, problemático, que deveria ter acompanhamento e mais atenção, era desprezado. O mais equilibrado era posto nas alturas, ganhava os afagos, o preferido até de Deus. Vê a meritocracia. Tinha de dar em merda. Caim, putinho com toda aquela babação com o irmão, foi lá e o matou. Resultado: condenado a vagar pela Terra sem eira nem beira, acabou arranjando uma mulher pra casar (sabe-se lá de onde ela veio. Num só tinha Adão e Eva? Vê a falha de continuidade da produção).
Aí vêm dizer que a família acima é o primórdio da tradicional. Pai e mãe fumaram um, alopraram, seguiram os conselhos de uma cobra falante e deram um vaitefudê no cara que lhes proporcionava casa, comida, jardim de inverno e vista pro mar. Vê a doidice. Criaram os filhos na base da diferenciação, sem ajudar nas angústias e nos anseios do mais problemático, que terminou matando o outro e fugiu de casa atormentado. Segundo consta, a humanidade inteira vive em sofrimento por causa das cagadas do casalzinho inicial. Vê o fracasso.
Melhor seria Adão e Ivo. Tinham adotado umas crianças, tavam todas bem vestidas, belos sapatos, o mundo seria bem melhor decorado e com melhores cortes de cabelo. Não faltariam festa lacrativa e Baphão. Sem falar nas baixíssimas taxas de desemprego. Todos teriam trabalho garantido na Chilli Beans.”

Do Facebook de Miguel Rios

segunda-feira, 23 de março de 2015

Quem avisa inimigo é

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sexta-feira, 20 de março de 2015

Como pode haver tanto e tão pouco em mim?

“Sempre que deseja compreender a sua posição no mundo, o homem vê-se colocado entre o infinito e o nada, na presença de ambos, impotente para decidir se pertence a um ou a outro. Erguido acima de todas as coisas, desce abaixo de cada uma delas; é o ser mais sublime e o mais rejeitado: tudo nele conjuga potência e impotência, grandeza e miséria.”

Do filósofo alemão Ernest Cassirer
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