“Filho. Meu filhinho. Médico nem pensar. Não criei você para salvar vidas. Nem curar bicho de pé. Nesta casa você não entra se quiser insistir. Nada de estetoscópio. De bisturi. De cara branca. Apalermada. Não foi essa a educação que lhe dei. Meu Deus. Onde errei? Não coloquei você no mundo. Nem o seu irmão. A sua irmã. Para ser engenheiro. Porra de advogado. Muito menos psicólogo. No divã. Juro que dou uma de louca. De tantã. No dia em que a Biologia. Ou a Geografia. Ou a Matemática. Fizer a sua cabeça. Pelada. Igual ao filho da Dona Creuza. Coitado. Passou no vestibular. Diz que vai ser publicitário. Fazer aquelas propagandas da TV. Não é de lascar? Não é de foder? Olhe bem para a sua cara. Olhe lá. Aonde você quer chegar? Aonde? Em qual horizonte? O sacrÃficio que a gente fez. Para lhe dar estudo. O duro que foi. O duro que é. Para uma mãe. Assim. Acompanhar o filho jogar. O futuro no lixo. Meu querido. Excomungado. Seu danado. Ouça. Numa boa. É a última vez que lhe aviso. Fiz até promessa. De você ser. Igualzinho. Zinho. Ao seu bisavô. Ao seu avô. Ao seu pai. Meu amor. Pense bem o que você vai fazer da sua vida. Hein? Seu merda. Não sou eu quem está pedindo. É o mundo que necessita. Cada vez mais. De poeta. Poeta. Poeta.”
Um dos cavaleiros que compõem o Monumento à s Bandeiras, no parque Ibirapuera, em São Paulo, amanheceu ontem com as unhas do pé esquerdo pintada de azul. A polÃcia ainda não conseguiu identificar o pichador que atacou de manicure.
- Case comigo?
- De jeito nenhum! Da minha solidão, cuido eu!
“É a cupidez, é o desejo de glória
Que levam os humanos a transgredir a lei
Até se tornarem autores ou cumplices de um crime.
Ele se esforçam dia e noite, até à exaustão
Para alcançar o topo. Mas todas essas paixões
São alimentadas sobretudo pelo medo da morte.
Pois ser desprezado e apodrecer na miséria
É para eles o oposto de uma vida doce e estável
É como já estar na sombra da morte.
Por isso, eles desejam, movidos por esse medo vão,
Fugir para longe desses males, afastá-los para longe de si.
Eles fazem correr sangue para aumentar seus bens…
É esse mesmo medo da morte, quase sempre,
Que os corrói de inveja…
Eles morreriam para se enxergar em estátua e glória…”
- Exijo respeito! Sou um homem de bem!
- Como? Um homem de bens?
O meu caso é de Frontal ou de foda-se?
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