Uma ordem

“Filho. Meu filhinho. Médico nem pensar. Não criei você para salvar vidas. Nem curar bicho de pé. Nesta casa você não entra se quiser insistir. Nada de estetoscópio. De bisturi. De cara branca. Apalermada. Não foi essa a educação que lhe dei. Meu Deus. Onde errei? Não coloquei você no mundo. Nem o seu irmão. A sua irmã. Para ser engenheiro. Porra de advogado. Muito menos psicólogo. No divã. Juro que dou uma de louca. De tantã. No dia em que a Biologia. Ou a Geografia. Ou a Matemática. Fizer a sua cabeça. Pelada. Igual ao filho da Dona Creuza. Coitado. Passou no vestibular. Diz que vai ser publicitário. Fazer aquelas propagandas da TV. Não é de lascar? Não é de foder? Olhe bem para a sua cara. Olhe lá. Aonde você quer chegar? Aonde? Em qual horizonte? O sacríficio que a gente fez. Para lhe dar estudo. O duro que foi. O duro que é. Para uma mãe. Assim. Acompanhar o filho jogar. O futuro no lixo. Meu querido. Excomungado. Seu danado. Ouça. Numa boa. É a última vez que lhe aviso. Fiz até promessa. De você ser. Igualzinho. Zinho. Ao seu bisavô. Ao seu avô. Ao seu pai. Meu amor. Pense bem o que você vai fazer da sua vida. Hein? Seu merda. Não sou eu quem está pedindo. É o mundo que necessita. Cada vez mais. De poeta. Poeta. Poeta.”

Zinho, texto do escritor Marcelino Freire
Dica de Gianni Paula de Melo 
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2 Comentários para “Uma ordem”

  1. lindo lindo lindo!

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  2. Juliana Ventura disse:

    Por favor. Por favor. Por favor.

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