Prefere o que: o duradouro ou o intenso?

“Ser feliz virou uma obrigação – e o amor (como o sexo, o trabalho, a cultura) só serve se nos trouxer felicidade. Mas, ao mesmo tempo, as pessoas não acreditam mais no ‘felizes para sempre’. Então, trocam o eterno por algo que as deixe muito loucas, como uma droga, ou as leve a estados profundos de desespero. Isso traz outra dificuldade: o ideal do amor extraordinário, fora do comum. Não temos, ou não usamos, referências do amor ordinário, que é o amor de que desfrutamos na vida real, com alguns altos e baixos, mas, na maioria das vezes, com seus platôs. Não conseguimos ver nesse tipo de experiência a matéria-prima para criar nossa história de amor e ficamos esperando que uma nova pessoa ou uma nova oportunidade nos traga a experiência extraordinária. O extraordinário é também real, mas só uma parte da trajetória amorosa que construímos no decorrer da vida. Digamos que o extraordinário equivale a alguns picos. No entanto, queremos repetir esses picos sempre. Porque tudo começa no primeiro amor, a grande vivência da paixão que, normalmente, termina com certa dose de tragédia. Trata-se de uma experiência realmente arrebatadora, que provoca uma ruptura com a família – afinal,  passamos a amar outras pessoas que não os nossos pais. O problema é que essa experiência acaba sendo o molde do que esperamos encontrar no ‘verdadeiro’ amor.”

Da ensaísta Lisa Appignanesi, autora do livro Tristes, Loucas e Más
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