O melhor combustível para o amor é o hábito?

“O amor, ainda jovem e pouco seguro de si, se fortifica com o uso; alimente-o bem e, com o tempo, ele se tornará sólido. Esse temido touro, você tinha o costume de acariciá-lo quando era bezerro; esta árvore, à sombra da qual você se deita, não era no início senão uma fina haste; pequeno, em sua nascente, o rio aumenta enquanto avança, e, durante seu curso, recebe a água de mil afluentes. Faça com que sua bela se habitue com você; não existe nenhum elo tão poderoso quanto o tecido pelo costume; para criá-lo, não recue diante das dificuldades. Que sua amiga o veja sempre; que ela o escute sempre; que a noite e o dia mostrem o seu rosto para ela. Quando você tiver muitas razões para crer que ela sente saudades suas, (…) deixe-a descansar um pouco; um campo descansado retribui largamente o que lhe confiamos (…). Fílis demonstrou ter por Demofoonte uma chama mais moderada, mas ela se inflamou quando ele levantou vela. Penélope vivia atormentada pela ausência do prudente Ulisses; aquele a quem você amava, o neto de Filarco, ó Laodâmia, estava ausente. Mas é mais seguro que sua ausência seja curta: com o tempo, as saudades diminuem, o ausente não existe mais, um novo amor se introduz.”

Trecho de A Arte de Amar, ensaio de Ovídio
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