Ninguém é capaz de dimensionar a dor alheia?

“A ‘patroa’ do Coutinho [o grande centroavante do Santos na época de Pelé] costura 400 sungas por semana para uma confecção. Em casa mesmo. Acha fácil conviver com o craque, ‘só precisa ter paciência’. O chama de Honório, que é o terceiro nome de um homem sem sobrenome: Antônio Wilson Honório. Eles tiveram três filhos, duas meninas e um menino. O rapaz, Kleber, que jogou no juvenil do Santos – com a camisa 10 – morreu em 1989, aos 23 anos. O Coutinho não gosta de tocar no assunto, mas está assim na biografia autorizada Coutinho, o Gênio da Área, de Carlos Fernando Schinner: ‘A morte do filho é ainda hoje um assunto tabu para o ex-camisa 9. Coutinho não fala sobre a doença que matou Kleber e, ao lembrar-se do filho, com a voz embargada e lágrimas nos olhos, não se perdoa, acha que não ajudou o rapaz o bastante, como realmente deveria’. Sem saber o que dizer, digo que posso imaginar a dor que ele sente. O Coutinho me fulmina como numa cobrança de pênalti sem paradinha: ‘Você também perdeu um filho? Ah, não? Então, me desculpa, você não pode imaginar a dor que eu sinto’.”

Trecho da reportagem Hilton Authentic, de Christian Carvalho Cruz 
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