Faltou o Joaquim Bandeira

“‘Trouxe-lhe um presente’, eu disse, estendendo-lhe o embrulho. ‘São os sonetos de Shakespeare.’
‘Sonetos? Eu pensei que o…’
‘Shakespeare…’
‘Sim… Pensei que ele só havia escrito aquela peça… o…’
Hamlet.’
‘Isso. Hamlet. Então ele também escrevia sonetos?’
‘Escrevia. Eu trouxe os sonetos porque a senhora disse no jantar que gostava de poesia.’
‘É, gosto muito.’
‘Quem são os seus poetas preferidos?’
‘Meus poetas preferidos?’
‘Sim.’
‘Raimundo… Raimundo Bilac.’
‘Olavo Bilac’, eu disse.
‘Pensei que o primeiro nome dele fosse Raimundo. Meu marido sempre diz que eu vivo fazendo confusões, mas que ele me ama mesmo assim. Gosto também daquele baiano… Gosto muito, mas esqueci o nome dele…’
‘Castro Alves?’
‘Acho que é esse o nome dele. Isso mesmo. Castro Alves.’
‘Mais algum poeta?’
‘Além desses todos?’, ela perguntou surpresa.”

Trecho do conto A Mulher do CEO, de Rubem Fonseca  
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