Das vantagens de estar à deriva

“- O que você faz na vida?
– Sou estivador.
– Não, falando sério.
– Estou falando sério. _ E teria lhe mostrado as palmas das mãos para prová-lo, se não receasse que ela pudesse discernir entre o que era um calo e o que era uma bolha. Naquela semana, todas as manhãs, seguindo a dica de um colega brutamontes, ele se exercitara nas docas, carregando caixotes de frutas. _ Mas a partir de segunda-feira terei um emprego melhor. Caixa noturno numa lanchonete.
– Não estou falando desse tipo de coisa. Qual é o seu verdadeiro interesse?
– Querida _ (e, como ele ainda era bastante jovem, o atrevimento de dizer ‘Querida’ num relacionamento tão recente o fez corar). _ Querida, se eu tivesse a resposta pra essa pergunta, aposto que em meia hora já estaríamos os dois morrendo de tédio.”

Trecho do romance Foi apenas um Sonho, de Richard Yates

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