Com quantas ficções se constroi uma verdade?

“Juan José Saer, o grande escritor argentino, observou certa vez que a ilusão da não-ficção se tornou, em nossos tempos, o gênero da moda. O rechaço da ficção seria, nesse caso, uma garantia de verdade. Vivemos no século da ciência e da tecnologia – logo, no século da verdade. Mas será? Como desprezar a ficção se somos sujeitos de sonho e de fantasia? Se estamos, desde a mais remota infância, aprisionados às lendas íntimas da imaginação? Se, apesar de nossos esforços sinceros, continuamos prisioneiros de nossa subjetividade – que é sempre limitada, nublada e parcial? ‘A superioridade da verdade sobre a ficção é apenas uma fantasia moral’, escreveu Saer. A ficção não descarta a verdade objetiva, apenas enfatiza sua turbulência e complexidade. A ficção não mata a verdade, em vez disso, a expande.”

Trecho de A ficção que sente vergonha, artigo de José Castello 
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