Ainda acredita no antropocentrismo?

“O humanismo é uma forma limitada de pensar o grupo dos humanos, que vejo como dependentes de muitos outros seres que não são humanos. Uma definição que isole o humano dos seres que o fabricam – tanto as divindades religiosas quanto as coisas com as quais os humanos vivem, como as árvores, mas também o alumínio para fazer talheres, por exemplo – é uma visão estreita. A perspectiva humanista foi legítima em uma determinada época, se falarmos do humanismo da metade do século 19  até a metade do século 20, antes que os ecologistas tenham chamado nossa atenção para o problema ambiental. Mas hoje não faz mais nenhum sentido falar em humanismo. (…) Os humanos são envolvidos por muitos outros seres, e a ideia de que uma pessoa age autonomamente, com seus próprios objetivos, não funciona nem na economia, nem na religião, nem na psicologia, nem em nenhuma outra situação. Portanto, a pergunta que se coloca é: quais são os outros seres ativos no momento em que alguém age? A antropologia e a sociologia que tento desenvolver se ocupam da pesquisa desses seres. Eu posso colocar a questão de um modo inverso: como, apesar das evidências de todos os numerosos seres que participam de uma ação, continua-se a pensar como se o único ator fosse o humano dotado de uma psicologia, ciente de si mesmo, calculador, autônomo, responsável?”

Do antropólogo francês Bruno Latour
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