O desejo é sempre arrogante?

“Eis o que dizia um dos cartazes da Marcha das Vagabundas, ocorrida sábado passado em São Paulo: ‘Acredite ou não, minha saia curta não tem NADA a ver com você’. A ficha caiu, não sem alguns arranhões internos, no meu cérebro de meia-idade. Nada a ver comigo? Nada mesmo? Rememorei brevemente várias das saias curtas que vi ao longo da vida. E era verdade: por mais que eu quisesse, não queriam nada comigo. Fui ignorado, fui desprezado na maior parte das vezes; confesso que frequentemente tomei isso como ofensa pessoal. Minha reação, na teoria pelo menos, foi reagir como todo machista padrão. ‘Se elas se vestem assim, como é que não querem que eu me interesse?’ Mas a ficha, ao cair, deu sua resposta a essa questão. Há muitas razões, fiquei pensando, para uma mulher usar uma minissaia espetacular. Pode estar se mostrando linda para o namorado, para ela mesma, ou para o mundo _o mundo em geral… Acontece que o ‘machão’, ou, arrisco-me a dizer, a maioria dos homens, sente-se pessoalmente interpelado pela minissaia da mulher belíssima. ‘É comigo’, pensa ele. ‘Afinal, não sou o centro do mundo?'”

Trecho do artigo O leão e a minissaia, de Marcelo Coelho
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