Arquivo de maio de 2014

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Fortaleza

“Você pode me inscrever na história
Com as mentiras amargas que contar
Você pode me arrastar no pó
Ainda assim, como pó, vou me levantar

Minha elegância o perturba?
Por que você afunda no pesar?
Porque caminho como se tivesse
Petróleo jorrando na sala de estar

Tal qual a lua ou o sol
Com a certeza das ondas no mar
Como se ergue a esperança
Eu hei de me levantar

Você queria me ver abatida?
Cabeça baixa, olhar caído
Ombros curvados feito lágrimas
Com a alma a gritar enfraquecida?

Minha altivez o ofende?
Não leve isso tão a mal
Só porque me ponho a rir como se tivesse
Minas de ouro no quintal

Você pode me fuzilar com palavras
E me retalhar com o olhar
Pode me matar com seu ódio
Ainda assim, como ar, vou me levantar”

Fragmentos traduzidos de Still I Rise, poema escrito pela ativista negra Maya Angelou, que morreu anteontem
Abaixo, Ben Harper interpreta uma adaptação do poema, musicada por ele mesmo
Imagem de Amostra do You Tube
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sexta-feira, 30 de maio de 2014

Tudo demorando em ser tão ruim

Quadrinho de Laerte
(clique na imagem para ampliá-la)

O título do post remete à canção Desde Que o Samba É Samba, de Caetano Veloso

Interpretada por Caetano, Diogo Nogueira e Thalma de Freitas
Imagem de Amostra do You Tube

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Bem-aventurada a desventura?

“Sou devoto dos cachorros mancos. Aquele cachorro com uma perna imaginária, apoiando-se no vento. Admiro imensamente o vira-lata que, apesar de quebrado, percorre seu trajeto com o focinho erguido. Que altivez! Que elegância vinda do desespero! Irei segui-lo na rua para descobrir o que come e onde mora. Posso entornar as latas de lixo para me tornar igual. Posso errar o caminho do trabalho e respirar Porto Alegre atrás de seu vulto. Fico curioso e assombrado pela força sobrenatural que emana de seu andar. (…) Não tenho pena dele, nem cometo o desatino de me comparar. O cão manco é um homem inteiro.”

Trecho de Cachorro Manco, crônica de Fabrício Carpinejar

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Por que certos clichês nos fascinam tanto?

Cartum de Chiquinha
(clique na imagem quando desejar ampliá-la)

quinta-feira, 29 de maio de 2014

A razão pode fazer mal para o coração?

“Quero explicar tudo. Sou mais uma destas mentes ‘civilizadas’, que substituem a coragem cega de viver pela fantasia de pensar. ‘Nunca te ocorre que pensar demais talvez seja, também, uma forma de embrutecimento?’, perguntou-me a Leonor, desolada.”

Trecho do romance Nas Tuas Mãos, de Inês Pedrosa 

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Vergonhosamente caloteiros

“Suspeito que tenhamos perdido por completo a medida de obrigação cívica, e que toda a cultura brasileira venha enfrentando fortes problemas de escala. O que é o máximo? O que é o mínimo? De onde o horror não passa? Dessa vez chega? Qual o limite? Mesmo em casos extremos (conectar um pescoço humano a um poste com uma trava de bicicleta, por exemplo), suspeito que nossa medida continue vaga, elástica. Suspeito que o termo dívida interna, de memória econômica, descreva bem o país – devemos aos deserdados, aos desocupados, aos desmantelados, aos desabitados, aos destrambelhados e aos desmemoriados. Devemos renda, saúde, educação, claro, mas também avencas, bueiros, ruas, parques, chicletes, remédios tarja preta; devemos água potável, brinquedos, lanternas, poços artesianos; devemos livros, trufas, CDs, lentes de contato, filmes de arte, óulos escuros, museus, proteína, alface. Devemos aos pobres, aos índios, aos pretos e aos pardos, mas também aos albinos, aos esquizofrênicos, aos insones, aos priápicos, aos tiozinhos de padaria, aos mitômanos e aos sexualmente indecisos. Devemos demais aos cães atropelados, prensados contra o guard-rail. Devemos aos palhaços de bufê infantil e aos papais noéis de shopping. Suspeito que nossa dívida interna seja impossível de descrever.”

Trecho do artigo Suspeito que estamos…, de Nuno Ramos

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Um infortúnio não recai duas vezes sobre o mesmo lugar?

“E quando vocês se derem conta
Do que ele é capaz de aprontar
(depois de provar o cravo das Molucas,
a noz e massa de Banda,
o gengibre de Kollam,
a canela de Simhala.),

Por certo exclamarão:
_ Era bem melhor ele não ter voltado.
Era bem melhor ele não ter partido.
Era bem melhor ele não ter nascido.”

Filho Pródigo, poema de Waly Salomão

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Imortal?

Se todos os seres humanos morressem de uma só vez, Deus também morreria?

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Soluções nascem antes dos problemas?

“São Paulo é um país compacto. Os edifícios acumulam-se como se precisassem de garantir segurarem-se uns nos outros com um braço esticado. As ruas ficam irregulares, serpentes emaranhadas no dorso das quais gente e automóveis passam num equilíbrio esperto. São Paulo é para espertos.
As serpentes são tão sedutoras quanto terminais, e há uma língua bífida procurando alimento incansável. Atarefada. Adoro a portuguesa língua bífida do Brasil. Isso de ser lusa e índia, de ser paisagem campestre e construção. O português do Brasil é uma babélica solução de sucesso.
Os taxistas perguntam-me como fui arrumar de falar tão bonito. Digo que estou num outro Portugal. Um senhor respondeu-me que São Paulo não é nada, nem Portugal nem Brasil. É um problema sozinho. E eu perguntei se não seria uma solução sozinha. Ele achou que sim. Só por existir solução se podia formular o problema. Rimos.”

Trecho de País compacto, artigo do romancista português Valter Hugo Mãe

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Saudosismo, em política, é sempre um perigo?

“O Chico Caruso – cartunista, chargista, cantor e cômico – conta a anedota com perfeito sotaque alemão. Numa cervejaria lotada da Munique atual, as pessoas vão pouco a pouco se dando conta da presença de uma figura conhecida entre eles. Será mesmo quem estão pensando? Não pode ser. Mas é: Adolf Hitler está ali! Começa, a princípio baixinho, mas depois aumentando de volume, um coro: ‘Volta, volta…’.
Hitler resiste, mas, finalmente, o clamor se torna irresistível. Ele, então, se ergue, pede silêncio e declara:
— Está bem, eu volto. Mas desta vez não vou ser bonzinho não!”

Trecho de Volta, Volta…, crônica de Luis Fernando Verissimo
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