Arquivo de janeiro de 2013

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Bagagem

“Eu poderia mudar de cidade? Poderia, mas qual a vantagem, se não mudo de pessoa? Tenho de carregar esta minha pessoa, com seus cabelos, seus pés, joelhos, cotovelos, suas longas recordações.”

Do cronista Rubem Braga
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Lar, doce lar (mas dá para ser diet?)

Então o padre lhes disse:
– Eu vos declaro marido e mulher. Podem começar a engordar.

A partir de um cartum publicado na revista The New Yorker

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

No fundo da memória (e do coração)

Entre os casos esquecidos
Estão as melhores lembranças?

A partir de Tudo Esclarecido, canção de Itamar Assumpção e Alice Ruiz

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Sobre atos e omissões

“O homem pediu truta e o garçom perguntou se ele não gostaria de escolher uma pessoalmente.
– Como, escolher?
– No nosso viveiro. O senhor pode escolher a truta que quiser. (…)
– Essa está bonita… – disse o garçom.
– Eu não sabia que se podia escolher. Pensei que elas já estivessem mortas.
– Não, as nossas trutas são mortas na hora… Da água direto para a panela.
A truta continuava parada contra o vidro, olhando para o homem.
– Vai essa, doutor? Ela parece que está pedindo…
Mas o olhar da truta não era de quem queria ir direto para uma panela. Ela parecia examinar o homem. Parecia estar calculando a possibilidade de um diálogo. ‘Estranho’, pensou o homem. ‘Nunca tive de tomar uma decisão assim. Decidir um destino, decidir entre a vida e a morte.’ Não era como no supermercado, em que os bichos já estavam mortos e a responsabilidade não era sua – pelo menos não diretamente. Você podia comê-los sem remorso. Havia toda uma engrenagem montada para afastar você do remorso. As galinhas vinham já esquartejadas, suas partes acondicionadas em bandejas congeladas, nada mais distante da sua responsabilidade. Os peixes jaziam expostos no gelo, com os olhos abertos mas sem vida. Exatamente, olhos de peixe morto. Mas você não decretara a morte deles. Claro, era com a sua aprovação tácita que bovinos, ovinos, suínos, caprinos, galinhas e peixes eram assassinados para lhe dar de comer. Mas você não estava presente no ato, não escolhia a vítima, não dava a ordem. Não via o sangue. ‘De certa maneira’, pensou o homem, ‘vivi sempre assim, protegido das entranhas do mundo. Sem precisar me comprometer. Sem encarar as vítimas.’ Mas agora era preciso escolher.
– Vai essa, doutor? – insistiu o garçom.
– Não sei. Eu…
– Acho que foi ela que escolheu o senhor. Olha aí, ficou paradinha. Só faltando dizer ‘me come’.
O homem desejou que a truta deixasse de encará-lo e voltasse ao carrossel juntamente com as outras. Ou que pelo menos desviasse o olhar. Mas a truta continuava a fitá-lo. Ele estava delirando ou aquele olhar era de desafio? ‘Vamos’, estava dizendo a truta. ‘Pelo menos uma vez na vida seja decidido. Me escolha e me condene à morte ou me deixe viver. A decisão é sua. Eu não decido nada. Sou apenas um peixe, com cérebro de peixe. Não escolhi estar neste tanque. Não posso decidir a minha vida ou a de ninguém. Mas você pode. A minha e a sua. Você é um ser humano, um ente moral, com discernimento e consciência. Até agora foi um protegido, um desobrigado, um isento da vida. Mas chegou a hora de se comprometer. Você tem uma biografia para decidir. A minha. Agora. Depois pode decidir a sua, se gostar da experiência. O que não pode é continuar se escondendo da vida…'”

Trecho de A Truta, crônica de Luis Fernando Veríssimo

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Quem há de negar que existe certa beleza no caos?

Vídeo sobre O Globo da Morte de Tudo, instalação
de Nuno Ramos e Eduardo Climachauska

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O romantismo nos transformou em monoteístas à procura de um deus humano?

“No campo sentimental, estamos nos comportando como fanáticos. Exigimos que o amor conjugal seja eterno e incondicional. Ou melhor: camuflamos sua natureza condicional e efêmera. Tentamos, assim, roubar um poder divino. Afinal, nada terreno é verdadeiramente incondicional, eterno e completamente bom. Esse é um tipo de amor que só Deus pode ter.”

Do filósofo britânico Simon May

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Ai de mim, que domino até o latim

“Quando o insuportável começa a virar maré cheia,
me pergunto:
por que não me tornei alpinista de empresa
escalando os prédios mais altos da Avenida Rio Branco?
Quatro anos de Letras,
mais dois de Pós em Literatura Portuguesa,
o curso completo de inglês no IBEU,
não permitem que a mesa do café seja invadida
de iogurtes, queijo branco, uvas, kiwi, pêssegos,
mamão com mel.

Por que não me especializei em alturas?
Uma estrofe de cor dos Lusíadas,
não é suficiente para o trabalho de Call Center
na empresa Silva Lins.
Era preciso ter um diferencial na voz.
Mas eu disse um verso de Camões.

E a menina ao meu lado,
estudante de Propaganda e Marketing na Estácio,
saia justa, corpo bronzeado de Ipanema,
um quê de rouquidão forçado no final das frases,
sai com carteira assinada e setecentos reais por mês.”

Mercado de Trabalho, poema de Lila Maia

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Todo poder emana da elite e em seu nome será exercido?

Cartum de Henfil

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

As melhores intenções

HQ de Angeli
(clique na imagem para ampliá-la)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Maior, ainda que menor

“Uma girafa pequenininha, mas pequenininha mesmo, ganha de uma borboleta grande?”

Trecho de A Ignorância das Crianças, crônica de Paulo Mendes Campos
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