Arquivo de agosto de 2012

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Entediados para sempre?

“Tudo é repetição no amor. O novo repete alguma coisa antiga e mesmo a primeira vez é igual à última.”

Do dramaturgo grego Dimítris Dimitriádis
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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Em vez de barzinho, pet shop?

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

E se o bobo alegre arranjar um psicanalista?

“Meu Deus! Eu não era feliz e não sabia…”

A partir de Jesus Kid, romance de Lourenço Mutarelli

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Um mimo

“Me chamo Julinho da Adelaide porque todo mundo só me chama assim lá no morro, entende? Minha mãe é mais famosa do que eu lá no Rio. Ainda é. Minha mãe é séria! Minha mãe, vou te contar o que ela fez. Minha mãe estava no primeiro elenco do Orfeu Negro. Foi amiga íntima de Vinicius de Moraes, Antonio Carlos Jobim e Oscar Niemeyer. Fazia o cenário do Oscar Niemeyer. Fazia o cenário do Orfeu no Municipal. Ela conheceu intimamente o Oscar Niemeyer. Tanto é que há cinco, seis anos a gente morava ali na Favela da Rocinha, quando começaram a erguer o Hotel Nacional. Ela me dizia: ‘Tá vendo, filho? Tá vendo, Julinho? Homenagem do Oscar para mim’.”

Trecho da entrevista que o compositor Julinho da Adelaide deu a Mario Prata em 1974. Julinho era a identidade secreta de Chico Buarque, que assinava canções com o pseudônimo na esperança de driblar a censura

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Somos ou não recicláveis?

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Todos os bons fazem realmente o bem?

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Por que gosto de dormir com um romance entre as mãos?

“Minhas leituras memoráveis são aquelas
quando à noite cabeceio na leitura.

Diante do livro aberto eu persigo
o friso das palavras que prosseguem
pelo vão das pálpebras.

Há sentido,

que passa despercebido
mas que me resguarda.

Pela manhã quando desperto
desprezo o livro ao lado e observo
no alto o teto liso.

O teto narra esplêndidas histórias
na superfície branca de páginas não
impressas.

Nelas acredito.”

Leituras, poema de Zulmira Ribeiro Tavares

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Pequeno Freud

“Mãe, sabe o que é sonho? É um filme que nasce na cabeça da gente. Se o filme é triste, vira pesadelo.”

Do Facebook de Ana Busch

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Mancha de amor não sai?

Ela abandona o quarto. Em meu peito, dentro e fora dele, deixa marcas de batom.

A partir do romance Jesus Kid, de Lourenço Mutarelli

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Para crer em Deus, é preciso acreditar primeiro no teatro?

“Tinha perto de casa uma igreja que eu achava muito feia. Era toda de madeira e pedra, sem cor nenhuma, sem dourado na borda, sem santo nem auréola, nem qualquer umas daquelas imagens assustadoras de lanças e dragões que eu adorava observar durante o sermão. A gente tinha se mudado havia pouco, e foi lá que passei a imaginar, a cada domingo, como seria meu encontro com Deus, na primeira comunhão. Se a gente mordesse a hóstia, sairia sangue de Jesus de dentro? E se a gente comesse muito, o corpo de Cristo iria se misturar à macarronada de domingo? Essas questões me atormentavam, e eu não via a hora de ser adulta para dormir tarde, ir ao baile de Carnaval, comungar e matar minha curiosidade. As noitadas teriam de esperar, já Deus eu conheceria em breve, nas aulas de catequese.
Um homem que abria o mar com um cajado, uma mulher que engravidava de uma pomba, um planeta inundado e uma arca com todos os bichos dentro, um grande pai que era três e que ainda por cima me amava, embora eu talvez não merecesse. De que mais uma criança de oito anos precisava? De um vestido. E começavam os burburinhos na escola em torno do tema. Minhas amigas já tinham ido à costureira meia dúzia de vezes, já tinham as pérolas do bordado, as rendas no colarinho, ao passo que eu era enrolada no caos da agenda da minha mãe. Ela estava grávida de muitos meses, e toda atenção que deveria estar voltada à minha primeira comunhão era diretamente desviada para a chegada da caçula. ‘Não se preocupe, é uma bata de seda lindíssima’, ela dizia. E eu repetia no recreio: ‘Ainda não experimentei, mas é uma bata de seda lindíssima’. (…)
No dia 2 de dezembro de 1989, na igreja de Santa Terezinha, me aboletei num banco com minha bata branca, que de seda nada tinha. Eu era uma espécie de franciscana com uma cruz de madeira pendurada ao pescoço e uma coroa de flores que me pesava como se fosse de espinhos. As meninas eram minidebutantes, e só não me aborreci mais porque, de algum jeito torto, acho que intuí que minha veste simplória resistiria melhor à atemporalidade do álbum de fotos. E elas não escondiam a decepção. ‘Mas não era de seda?’, repetiam enquanto desfilavam seus vestidos rodados, rendados, bordados. Mas o mais importante era que finalmente eu era digna da visita de Deus. Isso me enchia de vaidade, amor e alegria. Não senti nada quando a hóstia começou a derreter na língua, mas senti Deus explodindo nas minhas veias a cada passo da ida ao altar, em cada gesto dentro do figurino branco, diante das câmeras VHS, dos pais, tios e curiosos da plateia cheia. Minha primeira caminhada como atriz.”

Trecho de A Primeira Confissão, crônica de Martha Nowill
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